Moraes nega Carlos e Eduardo Bolsonaro como testemunhas de Filipe Martins

Ministro considerou que os dois filhos de Bolsonaro são investigados por crimes relacionados ao réu

Davi Vittorazzi e Luísa Martins, da CNN, Brasília
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O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou que Carlos e Eduardo Bolsonaro, ambos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), deponham como testemunhas de defesa de Filipe Martins, réu na Corte por tentativa de golpe de Estado. O despacho foi publicado no último domingo (29).

Para a decisão, o ministro considerou que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é parlamentar licenciado e é investigado por coação em investigação e tentativa de abolição violenta do Estado.

Em relação a Carlos Bolsonaro (PL-RJ), Moraes aponta que o vereador foi indiciado pela PF (Polícia Federal) no caso da "Abin Paralela". O ministro afirma que a investigação tem relação com o plano de tentativa de golpe, no qual Martins é réu.

"Todas as investigações são conexas. Ambos, também, são filhos de um dos investigados em ação penal conexa, portanto, não podem ser ouvidos como testemunhas", ressaltou o ministro.

Filipe Martins foi assessor de assuntos internacionais durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele é réu no "núcleo 2", que terá as testemunhas ouvidas entre 14 e 21 de julho.

Ao todo, a defesa do ex-assessor tinha listado 28 testemunhas, incluindo o ex-presidente e Mauro Cid, delator na ação penal. No entanto, o ministro havia autorizado 23 nomes, incluindo Carlos e Eduardo Bolsonaro.

No novo entendimento, o ministro reconsiderou o despacho publicado em 27 de junho.

Veja quem são as testemunhas de Filipe Martins:

  • Marco Antônio Freire Gomes
  • Carlos de Almeida Baptista Júnior
  • Marcel Van Hattem;
  • Hélio Lopes;
  • Eduardo Pazuello;
  • Senador Eduardo Girão;
  • Onix Lorenzoni;
  • Marco Edson Gonçalves Dias;
  • Mateus Matos Diniz;
  • Senador Rodrigo Pacheco;
  • Fernanda Januzzi;
  • Eduardo Tagliaferro;
  • André Chermont;
  • Stella Maria Flores Floriani Burda;
  • Saleh Ahmad Salem Alzaraim Alsuwaidi;
  • Yossi Shelley;
  • Todd Chapman;
  • Rotyslav Tronenko;
  • Fabiana Melisse Da Costa Tronenko;
  • Bader Abbas Alhelaibi; e
  • Fábio Alvarez Shor.

O ex-assessor é acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) de integrar o núcleo jurídico da operação, incluindo auxiliar com a criação de minutas para instituir estado de sítio no país e a aplicação da GLO (Garantia da Lei e da Ordem) após o resultado das eleições de 2022, que não trouxe a reeleição do antigo governo.

Atualmente, Filipe Martins está em liberdade provisória com condicionantes: tornozeleira, recolhimento domiciliar noturno, proibição de usar redes, sair do país e manter contato com outros investigados.