Moraes rebate R$ 25 mil gastos para provas: "Solicitasse justiça gratuita"
Segundo levantamento da CNN, defesas do núcleo 1 da ação que apura uma tentativa de golpe de Estado precisariam acumular montante para ter acesso a todos os documentos do processo
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), rebateu nesta terça-feira (9) o argumento de que os advogados de defesa não tiveram acesso amplo às provas e teriam gastado R$ 25 mil para baixar provas.
"Eu li, ministro Flávio, há três, quatro dias, uma das defesas alegando cerceamento, porque para poder ter acesso a tudo isso, gastou 25 mil reais", disse Moraes durante leitura de voto no julgamento contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus.
"Foi a defesa que pediu [acesso completo às provas da Polícia Federal] e podia ter solicitado a justiça gratuita, se houvesse necessidade", complementou.
A CNN fez o levantamento e publicou inicialmente de que os advogados do núcleo 1 do processo da trama golpista precisariam gastar mais de R$ 25,8 mil em HDs externos para baixar todas as provas do processo.
O mesmo argumento foi utilizado pela defesa de Augusto Heleno, feita pelo advogado Matheus Milanez, em entrevista à CNN.
Moraes começou a sessão desta terça-feira dando seu parecer sobre a suposta trama golpista que julga oito réus, entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Depois, os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin também votam.
Quem são os réus do núcleo 1?
Além do ex-presidente Jair Bolsonaro, o núcleo crucial do plano de golpe:
- Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
- Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro;
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) de Bolsonaro;
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
- Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro; e
- Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, candidato a vice-presidente em 2022.
Por quais crimes os réus estão sendo acusados?
Bolsonaro e outros réus respondem na Suprema Corte a cinco crimes. São eles:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
- Deterioração de patrimônio tombado.
A exceção fica por conta de Ramagem. No início de maio, a Câmara dos Deputados aprovou um pedido de suspensão a ação penal contra o parlamentar. Com isso, ele responde somente aos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Cronograma do julgamento
Nesta semana foram reservadas quatro datas para as sessões do julgamento, veja:
- 9 de setembro, terça-feira, 9h às 12h e 14h às 19h;
- 10 de setembro, quarta-feira, 9h às 12h;
- 11 de setembro, quinta-feira, 9h às 12h e 14h às 19h; e
- 12 de setembro, sexta-feira, 9h às 12h e 14h às 19h.


