Moraes sinaliza a Fux que não há razão para pedido de vista

Relator fez questão de dizer que colega acompanhou todas as etapas da ação

Luísa Martins
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O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Suprema Tribunal Federal), sinalizou ao ministro Luiz Fux que não há razões para um pedido de vista - o que interromperia por 90 dias o julgamento da ação penal sobre a trama golpista.

Ao ler o relatório do caso na sessão de terça-feira, Moraes disse que contou com a "honrosa presença" de Fux ao longo de todas as fases da investigação, já que o colega participou da oitiva das testemunhas e do interrogatório dos réus.

Nos bastidores, a fala foi entendida como um "recado velado", no sentido de que Fux acompanhou de perto toda a instrução do processo e, portanto, não teria motivos para pedir mais tempo para analisar os autos.

O discurso faz parte de um "pacote antivista" engendrado por Moraes. O apelido foi dado internamente a uma série de iniciativas do relator para evitar uma interrupção do julgamento. O ministro quer o caso concluído ainda em 2025.

Antes de pedir uma data para o julgamento na Primeira Turma, Moraes deu cerca de dez dias para que os demais colegas pudessem estudar a ação. Seu gabinete também disponibilizou um link na "nuvem" com todo o material coletado.

Ministros da Corte chegaram a cogitar que Fux pudesse pedir vista, diante de divergências em relação ao caso. O ministro, porém, disse a interlocutores que não vai interromper o julgamento, embora possa discordar de alguns pontos.