Moraes vota para tornar Bacellar réu por vazamento de informações sigilosas

PGR denunciou ex-presidente da Alerj em caso que apura vazamentos e obstrução de investigações relacionadas a organizações criminosas no RJ

Gabriela Boechat, da CNN Brasil, Brasília
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O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), votou nesta sexta-feira (14) para receber a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) e tornar o ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) Rodrigo Bacellar e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, réus em caso que apura vazamento de informações sigilosas e obstrução de investigações relacionadas a organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro.

O ministro também votou para tornar réus o desembargador Macário Ramos Júdice Neto; a esposa de TH Joias, Jéssica de Oliveira Lima; e seu assessor parlamentar Thárcio Nascimento Salgado.

De acordo com o ministro, a PGR apresentou indícios mínimos de crime na denúncia que justifiquem a abertura de uma ação criminal contra eles.

Segundo a PGR, os denunciados atuaram juntos para prejudicar a Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 com o objetivo desarticular uma organização criminosa dedicada à prática de tráfico internacional de armas de fogo e entorpecentes, corrupção, lavagem de capitais e outros delitos de elevada gravidade, liderada por integrantes do Comando Vermelho.

TH Joias era um dos principais alvos da operação e teria sido avisado previamente sobre a ação policial. A PGR afirma que desembargador federal Macário Neto teria revelado antecipadamente ao deputado Rodrigo Bacellar, descrito como amigo próximo, informações sigilosas sobre medidas cautelares que seriam cumpridas na Operação Zargun, autorizadas sob sua relatoria no Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

De acordo com a acusação, os dois se encontraram pessoalmente em 2 de setembro de 2025, na véspera da operação, quando teriam tratado do repasse de informações sobre a ação policial.

Bacellar teria, em sgeuida, avisado TH Joias da investigação. Entre os indícios apontados está o fato de que, no momento das buscas em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, não foram encontrados computadores ou mídias digitais. Além disso, ele teria deixado sua residência na véspera da operação.

A denúncia afirma que o esvaziamento do imóvel contou com auxílio da esposa, Jéssica de Oliveira Lima, que teria conduzido um veículo e transportado parte dos objetos retirados do local.

Após retirar materiais de interesse da investigação e passar a ser considerado foragido, TH Joias foi localizado pela polícia no apartamento de seu assessor parlamentar, Thárcio Nascimento Salgado. Segundo a acusação, o assessor ajudou o ex-deputado a se esconder e também teria adotado medidas para apagar evidências digitais.

A denúncia está sendo analisada em plenário virtual no STF. Nesse modelo, os ministros têm uma semana para depositar os votos na página on-line do processo. Por ocorrer na Primeira Turma, votam no caso os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.