'MPF-RJ vê com preocupação possível interferência na PF', diz procurador
Eduardo Bonnes, procurador da República, afirma ainda que poderá ser aberto investigações em virtude das suspeitas no caso
Se confirmada a substituição do superintendente da PF do Rio, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) irá se tornar alvo de um procedimento para investigar improbidade administrativa, em virtude das suspeitas de que há interferência política. Esta é a avaliação de Eduardo Bonnes, procurador e coordenador de Controle Externo da Atividade Policial, em entrevista à CNN.
"Não sei se há alguma evidência dessa interferência, mas tudo que temos acompanhado pela mídia sobre o depoimento do ex-ministro Sergio Moro nos leva a ver a situação com preocupação. Ainda não há uma evidência concreta de interferência, mas se houver será plenamente rechaçado pelo MP no exercício de controle externo. Se chegar ao nosso conhecimento que o processo de escolha foi afetado por essas questões pessoais de qualquer maneira, e que venha a prejudicar o andamento das investigações, pode ser aberto até mesmo um procedimento investigatório"
Ele afirma que não é atribuição do Presidente da República escolher quem será um superintendente regional. Isso compete ao diretor geral da instituição.
"Processo de nomeação é de livre escolha da autoridade do poder Executivo, mas a nossa preocupação é que não haja, neste processo, nenhuma supremacia de interesses pessoais sobre o interesse público. Então o Ministério Público vê com uma certa preocupação se acontecer isso (...) De fato não vai se conseguir combater o crime organizado no Brasil, sem combater o crime organizado no Rio de Janeiro.", explica.
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Nesta quarta (6),o novo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Rolando Alexandre de Souza, escolheu o delegado Tácio Muzzi como novo superintendente da organização no Rio de Janeiro.
O nome de Muzzi, que substituirá Carlos Henrique Oliveira – promovido a número dois da PF – não aparecia na lista de cotados para assumir a chefia regional da PF.
