Não cogito pedir asilo, diz Bolsonaro à CNN após alegação final da PGR
PGR pediu na segunda-feira (14) a condenação do ex-presidente e de outros sete réus por organizar uma tentativa de golpe de Estado
Em entrevista no CNN Arena, nesta terça-feira (15), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que não pensa em "pedir asilo".
"Eu vou ser preso por quê? Por ter destruído o relógio em Brasília? Eu estava nos EUA. Isso é um crime impossível. Não vou pedir um asilo se não cometi crime algum. É como o presidente Trump tem dito: 'Caça as bruxas'. Vou enfrentar o processo. Vamos ver até onde eles vão", declarou à CNN.
Na segunda-feira (14), a PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu a condenação do ex-presidente e de outros sete réus por organizar uma tentativa de golpe de Estado.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), as alegações finais na ação penal contra o "núcleo 1" da trama golpista, que inclui os líderes do esquema.
Na avaliação de Gonet, além de Bolsonaro, devem ser condenados os ex-ministros Alexandre Ramagem, Augusto Heleno, Anderson Torres, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira; o ex-ajudante de ordens Mauro Cid; e o ex-comandante da Marinha Almir Garnier.
Ainda na entrevista à CNN, Bolsonaro comentou que o Brics se tornou uma "reuniãozinha de pequenos ditadores".
“O Brasil se afastou dos valores americanos, está ao lado de ditaduras e de terroristas. O Brics agora virou uma reuniãozinha de pequenos ditadores. Tem criminosos de guerra do mundo todo", expôs no CNN Arena.
Trump e Brasil
Em outro momento, o ex-presidente citou a carta divulgada por Donald Trump anunciando uma taxação de 50% ao Brasil: “A própria carta do presidente Trump fala de liberdade de expressão, comércio brasileiro, cita meu nome como vítima de uma ‘caça às bruxas’.”
Segundo Bolsonaro, o atual governo tem responsabilidade na taxação anunciada pelo Trump sobre produtos brasileiros. “Quem tem que buscar negociação é o presidente Lula, não sou eu”, afirmou. “Em 2019, o Trump queria taxar o aço, eu falei com ele e ele não taxou.”
O ex-presidente chegou a comparar a situação do Brasil à da Argentina sob a gestão de Javier Milei.
“Se eu fosse presidente, a negociação estaria parecida com a da Argentina: lá, o Milei conseguiu taxa zero para 80% do exportado, e algo em torno de 10% para os 20% restantes", destacou à CNN.
Bolsonaro disse torcer por um acordo, mas ressaltou que Trump tem sido claro quanto aos critérios.
“Quem está colocando na mesa as condições é o presidente Trump. Ele fala que sou um cara honesto, um negociador duro, que tem simpatia por mim", enfatizou.
*Publicado e com informações de João Scavacin, da CNN


