"Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei?", disse Vorcaro a Moraes

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que o ex-banqueiro pediu que magistrado tentasse interferir em investigações

Manoela Carlucci e Léo Lopes, da CNN Brasil, São Paulo
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Uma troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, indica que o dono do Banco Master pediu que o magistrado tentasse reverter as investigações sobre a instituição financeira junto de Paulo Gonet, procurador-geral da República e Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF (Polícia Federal).

"Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?", escreveu Vorcaro ao ministro em 15 de novembro de 2025 — dois dias antes de ser preso pela primeira vez.

O dono do Banco Master disser ser "muita sacanagem" o andamento da investigação: "Muita sacanagem isso. esses caras devem estar sabendo que estou resolvendo tudo essa semana e querem acabar com tudo antes".

"Muita sacanagem isso. Estou perplexo e indignado. Esses caras vão destruir todo o negócio e sem volta. De repente até melhor eu encarar de frente. Temos que dar um jeito de desarmar isso meu Deus", completou.

Essa não foi a primeira vez que Vorcaro teria tentado esse tipo de interferência. No dia 30 de outubro de 2025, de acordo com a investigação, ele teria encaminhado ao ministro Moraes outras mensagens desse mesmo teor: "É importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco".

"Estou disponível pra tratar e explicar qq [qualquer] coisa, so nao pode ter sacanagem".

Quebra de sigilo

As mensagens entre Vorcaro e Moraes vieram a público nesta terça-feira (1º), após o ministro André Mendonça retirar o sigilo da ação que trata do conteúdo das conversas.

A divulgação ocorre em meio a novas revelações sobre a relação entre Vorcaro e integrantes do Judiciário.

A decisão ocorreu pouco depois de o Estadão revelar conversas nas quais o banqueiro pedia ao magistrado que atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações sobre o banco.

Diante das informações, Mendonça pediu à PGR esclarecimentos complementares sobre a mensagem. Segundo apuração da CNN, o ministro também estaria mapeando os votos que poderia obter dentro da Corte para uma eventual apuração.

CNN procurou a assessoria do STF sobre as menções ao ministro Alexandre de Moraes no relatório e aguarda resposta.

A PGR também foi procurada pela CNN para se manifestar a respeito das menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O espaço segue aberto.