Não decidi ainda se serei candidato, diz Dallagnol sobre 2022

Ex-chefe da Lava Jato contou à CNN que "refletiu" sobre lançar uma candidatura em 2018 e que já recebeu diversos convites na política desde 2016

João de Marida CNN

Em São Paulo

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O ex-procurador e ex-chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, afirmou à CNN nesta terça-feira (30) que ainda não decidiu se disputará cargos políticos nas eleições em 2022 e que ainda “está refletindo sobre o futuro”, apesar das especulações de uma possível filiação ao Podemos, mesmo partido do ex-ministro e ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro.

“Estou em uma fase de reflexão sobre qual vai ser o melhor caminho para eu seguir, e tem a ver com minha saída do Ministério Público Federal (MPF). Sempre houve convites para que eu me candidatasse, nas últimas eleições dos últimos anos, e a resposta que eu sempre dei foi que tenho uma contribuição para com a Lava Jato”, afirmou o ex-procurador.

Segundo Dallagnol, uma suposta “reação contra o combate à corrupção” fez com que o “sistema começasse a desmontar os resultados”, o que teria o motivado a deixar o cargo no MPF. O chefe da força-tarefa operação Lava Jato pediu exoneração do cargo no órgão no início de novembro, estudando uma possível migração para a política.

“Estou lutando contra corrupção e tinha espaço para trabalhar. Contudo, recentemente existiu uma reação contra o combate a corrupção, o sistema começou a desmontar os resultados, trabalharam para impedir para que esse trabalho se repetisse”, disse.

Em setembro, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNPM) puniu Deltan Dallagnol com a sanção de censura por interferência na votação para a presidência do Senado em 2019. A representação contra o então procurador foi apresentada pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), que acusou Dallagnol de ter influenciado, pelas redes sociais, as eleições para a presidência do Senado em 2019.

“Até reclamar era difícil, porque fui punido duas vezes por exercer a liberdade de expressão para criticar o Supremo Tribunal Federal e o senador Renan Calheiros, os únicos processos disciplinarem contra mim”, contou à CNN.

“Me via amarrado para lutar pela transformação que eu sempre acreditei. Se eu quisesse lutar pela transformação seria eu sair [do MP] para brigar e continuar trabalhando para que retrocessos não se repitam. Foi uma decisão difícil.”

Candidatura ao Senado

Ao ser questionado sobre conversas atribuídas a ele sobre a pretensão de se candidatar a uma vaga ao Senado nas eleições de 2018 — o caso foi publicado pelo site The Intercept em 2019 em um vazamento de conversas que ficou conhecido como Vaza Jato —, o ex-procurador afirmou não falar sobre as mensagens porque “são de origem criminosa”.

No entanto, o ex-procurador disse à CNN nesta terça que “refletiu” sobre lançar uma candidatura naquele ano.

“Não falo sobre essas mensagens porque são origem criminosa, de hackers, deturpadas em vários aspectos. Se eu refleti [sobre lançar uma candidatura], refleti. Várias vezes fui convidado, desde 2016, para sair na política. Mas sempre entendi que contribuiria com o país por minha profissão, pelo meu cargo no MP”, afirmou à CNN nesta terça.

Nas mensagens trocadas consigo mesmo via Telegram, que funcionava como espaço de reflexão de Dallagnol, o então procurador chegou a se considerar “provavelmente eleito”. Segundo o conteúdo atribuído a ele, o agora ex-procurador avaliou ainda que a mudança que desejava implantar no país dependeria de “o MPF lançar um candidato por Estado”.

Na semana passada, a âncora da CNN Daniela Lima adiantou que, após a filiação de Sergio Moro, o Podemos mira em outros nomes da Lava Jato para disputar as eleições de 2022.

Integrantes da sigla afirmam que Deltan Dallagnol, o ex-procurador da operação em Curitiba, já garantiu que sua filiação ao partido ocorrerá em dezembro. A data exata ainda não foi definida.

No entanto, ele negou à CNN nesta terça-feira uma possível pré-candidatura a cargos políticos. Mas avaliou que uma saída do MPF para entrar na política “até não faz sentido sob ponto de vista egoísta”.

“Sob ponto de vista egoísta não faz sentido, porque estou saindo de um cargo estável e com uma série de benefícios para uma situação arriscada, onde vou sofrer uma série de críticas no mundo político”, concluiu.

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