"Não é a hora de falar", diz Tebet sobre Ministério da Justiça

Ministra do Planejamento afirmou não ter recebido convite para assumir cargo de Dino, indicado ao STF

Cristiane Noberto, da CNN
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A ministra do Planejamento, Simone Tebet, negou nesta terça-feira (28) ter sido convidada para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O atual titular da pasta é o ministro Flávio Dino, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Tebet afirma que esse não é o momento de falar em troca de ministério, visto que Dino deve permanecer no cargo, pelo menos, até a data da sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

"Não é a hora de falar em ocupação de novos cargos, nem nomeação, porque não há vacância do ministério. Não fui sondada, não fui convidada, estou no Ministério do Planejamento e Orçamento, vocês sabem disso, a convite do presidente Lula, como ele mesmo disse, da cota pessoal dele. Estamos procurando fazer o melhor possível diante do cenário que nós pegamos da questão das finanças e do orçamento no Brasil."

Segundo apurou a CNN, Lula disse a um grupo de aliados que Tebet seria um bom nome para a pasta. O cenário é considerado, no entanto, apenas se a Justiça for separada da Segurança Pública.

A separação, além de ser um aceno do presidente a uma bandeira eleitoral dos partidos de direita, seria uma forma de contemplar a aliada, que, no início do governo, sinalizou que gostaria de uma pasta de maior projeção.

Um outro ponto é que a ideia de Lula é indicar para o Planejamento um nome mais alinhado às ideias do presidente, em especial a de que não é necessário uma meta de déficit fiscal zero em 2024.

Lula deu mais tempo ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para perseguir a meta, mas continua avaliando que não é necessário cortar despesas em ano eleitoral.

Tebet também evitou especulações. Ao ser questionada se aceitaria a vaga, afirmou que “ninguém antecipa decisões” e que ela está correndo contra o tempo para aprovar as pautas econômicas no Congresso Nacional. “Então, não temos tempo de pensar em absolutamente nada.”

A ministra ainda destacou que a nomeação é “ato personalíssimo do presidente da República”.

“Ele é quem tem que analisar, dentro desse tabuleiro de xadrez chamado política, quais são as melhores peças a serem movidas. Eu estou muito tranquila em dizer que o presidente Lula tomará a decisão mais acertada. O Ministério da Justiça é um ministério extremamente relevante. É preciso um nome de estreita confiança do presidente”, afirmou.