Não há nenhuma ameaça à soberania nacional, avalia ex-embaixador sobre Amazônia
Para Rubens Barbosa, apesar da política ambiental ser hoje um tema global, governo brasileiro ainda não se deu conta disso
Ao contrário do que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acredita, o ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa enxerga que não há nenhuma ameaça à soberania brasileira em questões que dizem respeito à Amazônia.
O democrata Joe Biden prometeu, durante o primeiro debate presidencial dos Estados Unidos nessa terça-feira (29), US$ 20 bilhões para combater o desmatamento na Amazônia. Ele também sugeriu aplicar sanções econômicas caso o país não preserve a floresta.
“Eu não vi uma ameaça de retaliação e sanções ao Brasil. O que ele [Biden] mencionou foi um assunto de política interna americana. Ele usou o exemplo do Brasil para mostrar que estão interessados na mudança da política econômica. E não há nenhuma ameaça à soberania porque o Brasil é que vai decidir se vai participar ou não desse empréstimo, se é que vai ser para a Amazônia”, avaliou em entrevista à CNN.
Nesta quarta-feira (30), ao discursar na Cúpula de Biodiversidade da ONU (Organização das Nações Unidas), Bolsonaro disse que seu governo mantém o compromisso com o desenvolvimento sustentável e gestão soberana dos recursos naturais nacionais.
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"Recordo que a convenção sobre a biodiversidade consagra o direito soberano dos Estados de explorarem seus recursos nacionais em conformidade com suas políticas ambientais, e é exatamente isso que pretendemos fazer com a enorme riqueza que existe no território brasileiro", declarou.
Para Barbosa, apesar da política ambiental ser hoje um tema global, o Executivo brasileiro “ainda não se deu conta” disso.
“Se Biden ganhar a eleição vai mudar a política econômica e ambiental dos Estados Unidos, vai voltar a participar do Acordo de Paris e vai se juntar à Europa, fazendo pressão sobre os países que têm florestas e problemas ambientais, para reduzir o risco de aquecimento global”, falou.
“Isso é um tema global e não bilateral ou entre outros países. E o governo ainda não se deu conta”, pontuou.