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    Não se enfrenta crime organizado com rosas, diz número 2 do Ministério da Justiça à CNN

    Ricardo Cappelli afirmou à CNN que "violência na Bahia não significa desestruturação da Segurança Pública no estado"

    Ricardo Cappelli é secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública
    Ricardo Cappelli é secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública Jerônimo Gonzalez

    Jussara SoaresBasília Rodriguesda CNN

    O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Cappelli, disse que a onda de violência na Bahia não significa uma “desestruturação da Segurança Pública” no estado, apesar da gravidade da situação.

    À CNN, Cappelli saiu em defesa da polícia baiana, dizendo que “não se enfrenta o crime organizado com fuzil com rosas”. Ele, porém, defendeu que a letalidade deve ser investigada e combatida.

    “Não vejo uma desestruturação da Segurança Pública na Bahia. É grave? É. Tem confronto. Tem? Agora, a polícia da Bahia é uma polícia boa. Tem a questão da letalidade? Tem. Mas você não enfrenta crime organizado com fuzil com rosas. Porém, a letalidade deve ser investigada e combatida”, disse Cappelli.

    A Bahia vive uma onda de violência que já deixou 59 mortos apenas neste mês de setembro. Um policial federal morreu no dia 15 durante uma operação policial em Salvador, que terminou com outros quatro homens mortos.

    O número 2 do Ministério da Justiça disse que a crise de segurança na Bahia é resultado de uma falta de política pública em segurança durante os quatro anos do governo Jair Bolsonaro (PL). Segundo Cappelli, as armas de grosso calibre foram parar nas mãos de organizações criminosas.

    “O que ocorre na Bahia é a disputa entre as duas maiores organizações criminosas nacionais. Esse não é um problema da Bahia só. É um problema do passivo que foi gerado por falta de política de segurança pública nos últimos quatro anos. Bolsonaro despejou armas que foram parar nas mãos dos criminosos”, disse o secretário.

    Entretanto, números do anuário do Fórum Brasileiro Segurança Pública mostram o crescimento de mortes decorrentes de intervenções policiais nos últimos anos. Em 2015, início da série histórica, foram 354 mortes. Em 2019, primeiro ano da gestão Bolsonaro, já havia subido para 773. Em 2022, 1.464 pessoas morreram em operações da polícia.

    A questão da Segurança Pública na Bahia é um tema sensível para o governo Lula. O estado é governado pelo PT desde 2011. O crescimento das mortes em confronto policial, retratado pelo Fórum de Segurança Pública, ocorreu justamente durante os governos de Rui Costa, atual chefe da Casa Civil. Atualmente, a Bahia é governada pelo também petista Jerônimo Rodrigues.

    De acordo com Cappelli, o governo não estuda uma intervenção federal com a decretação de uma Garanta da Lei e da Ordem (GLO) com o uso das Forças Aramados. “GLO é quando o governo do estado sem condição de liderar. O governo da Bahia é forte e estruturado. O governo do Jerônimo tem absoluto comando e controle da situação.”

    Preocupação, cautela e discrição

    O confronto de policiais e grupos de crime organizado na Bahia é tratado com cautela e preocupação no governo federal.

    Após encontro do ministro da Justiça, Flávio Dino, com o governador Jerônimo Rodrigues, na segunda-feira (25), o governo federal encaminhou um grupo técnico para fazer diagnóstico do problema.

    De acordo com integrantes do ministério, o grupo já retornou a Brasília e com orientação de cuidar do caso com discrição.

    Há expectativa de anúncio de mais investimentos e outras medidas, que ainda vem sendo mantidas sob reserva diante a sensibilidade do caso.

    VÍDEO: Sobe para 59 o número de mortos em confrontos na Bahia