Não vale pregar endurecimento de pena e propor anistia, diz diretor da PF
Chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues disse que é preciso ter "coerência entre o discurso e a prática" quando o assunto é revisar condenações impostas por crimes cometidos
O diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, criticou nesta quarta-feira (17) quem prega o "endurecimento" de penas, mas também defende a "anistia", e afirmou que é preciso ter "coerência".
"Nós, autoridades públicas dos Três Poderes, temos de ter coerência entre o discurso e a prática. Não vale pregar mais o endurecimento de pena, proibir benefícios condicionalmente, inclusive, previstos, e na hora da prática fazer outra coisa, como, por exemplo, propor anistia ou propor afrouxamento de pena para quem comete crime e crime organizado", afirmou durante agenda em Brasília.
A fala de Andrei acontece enquanto o Senado discute o chamado PL da Dosimetria, que pode reduzir o tempo de pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Na prática, o texto trata da redução do cálculo das penas e, para isso, lista condições e fixa porcentagens mínimas para o cumprimento da pena e progressão de regime. Também determina que a remição da pena pode ser compatível com a prisão domiciliar.
Neste momento, o projeto está na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e ainda hoje pode ser analisado no plenário da Casa.
A base do governo, por outro lado, não apoia a aprovação do projeto e pressiona o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a vetar integralmente o texto, segundo apuração do analista Pedro Venceslau.


