Não vejo qualquer ameaça nas falas de Bolsonaro, diz senador governista

Para Marcos Rogério (DEM-RO), Bolsonaro age com 'autenticidade' e sofre com falas 'retiradas de contexto'

Elis Franco e Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo

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O senador Marcos Rogério (DEM-RO), integrante da base governista e membro titular da CPI da Pandemia, afirmou à CNN nesta sexta-feira (9) não ver nenhuma ameaça do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) à democracia brasileira. Para o parlamentar, o presidente da República se comunica de modo “autêntico”, tem suas falas tiradas de contexto e costuma reafirmar seu compromisso com a democracia e com a Constituição Federal. 

“Não vejo nas falas do presidente Bolsonaro qualquer ameaça, seja à democracia ou à ordem democrática, ou ao estado de direito”, disse o senador. “São falas que, se não tiver esse filtro da consideração de quem é Bolsonaro, de como ele se expressa, pode ter uma leitura diferente, mas eu não vejo nele, em nenhum momento, qualquer tipo de ameaça à democracia”. 

A defesa de Marcos Rogério tem como plano de fundo declarações de Bolsonaro a apoiadores feitas nesta sexta-feira. O presidente disse que não teria problemas em ser sucedido no cargo por outra pessoa, desde que a eleição ocorra com “voto auditável e confiável”, em referência ao voto impresso, uma bandeira de Bolsonaro. Segundo o presidente, se não houver voto impresso, “corremos o risco de não termos eleições no ano que vem”. 

Em sua fala na manhã desta sexta-feira, Bolsonaro também atacou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, crítico da proposta de voto impresso e defende que o sistema eleitoral brasileiro é robusto e confiável. Bolsonaro disse que Barroso é “imbecil” e “idiota”. 

Em nota, o TSE respondeu que “a realização de eleições, na data prevista na Constituição, é pressuposto do regime democrático” e que “qualquer atuação no sentido de impedir a sua ocorrência viola princípios constitucionais e configura crime de responsabilidade”. 

‘Estilo’ do presidente agrada seus eleitores

“Ele sempre foi assim, desde quando era deputado federal, e talvez tenha sido eleito presidente da República justamente por essa autenticidade, por falar o que pensa, como pensa, e às vezes falar até sem pensar algumas coisas, mas é o jeito do presidente Bolsonaro”, disse Marcos Rogério. 

“Muitos são bolsonaristas justamente por gostar desse estilo. Mas se você disser [a mim], ‘você concorda com essas expressões?’ Não.”, continuou. 

O senador por Rondônia disse também que nunca o presidente da República, mesmo quando era deputado, se manifestou de maneira que atentasse contra os princípios constitucionais.

Questionado sobre declarações públicas de Bolsonaro, como a defesa da tortura por parte do estado na ditadura militar, ou os elogios feitos a Hugo Chávez e Alberto Fujimori quando esses líderes políticos fecharam os Congressos de seus países, Marcos Rogério disse que respeita “a opinião do eleitor”, que elegeu Bolsonaro mesmo conhecendo o perfil do então deputado, hoje presidente. 

“São frases, falas, aqui e acolá, às vezes retiradas de contexto”, disse o político, que na sequência defendeu a solidez das instituições democráticas brasileiras e afirmou que “não é uma condição unilateral que vai determinar o rompimento desse status tão caro para o Brasil”. 

Pesquisas

Quando perguntado sobre o mau momento de Bolsonaro nas pesquisas eleitorais para a 2022 e também sobre a crescente desaprovação ao governo federal, o senador Marcos Rogério disse ser “um pouco cético com pesquisas”, mas reconheceu ser necessária a consideração de que “o cenário que nós temos”. “Estamos no meio de uma pandemia, onde você tem reflexos sociais, econômicos, há uma inquietação”. 

Para o senador, o cenário do Brasil neste momento será substituído nos próximos meses por condições melhores, conforme avançar a vacinação contra a Covid-19. 

Senador Marcos Rogério (DEM-RO), titular da CPI da Pandemia
Senador Marcos Rogério (DEM-RO), titular da CPI da Pandemia
Foto: CNN Brasil (25.jun.2021)

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