“Nenhuma mágoa com o ex-governador”, diz Kassab sobre Alckmin

Presidente do PSD diz que entende se decisão de ex-governador de SP for a de se filiar ao PSB e reafirma que Rodrigo Pacheco será candidato à Presidência da República

Tiago Tortellada CNN

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O presidente do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, afirmou, em entrevista à CNN, que compreende se o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin não concorrer às eleições estaduais pela sigla em 2022. Ele destacou que não há “nenhuma mágoa com o ex-governador”

Kassab disse que foi o PSD quem procurou Alckmin há alguns meses. O ex-prefeito afirmou que, na época, “ele [Alckmin] se manifestava publicamente por uma preferência de se candidatar a governador e até contra o seu partido [PSDB, na ocasião], que tinha outro posicionamento”.

Porém, nos últimos dias, segundo Kassab, o ex-governador tem dado preferência para analisar os convites de integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) para compor a chapa de Luiz Inácio Lula da Silva que concorrerá à presidência no ano que vem.

“Vamos procurar um outro caminho, caminho de candidatura própria, que possa representar nossas ideias, levar nossa mensagem”, pontuou Kassab.

Segundo o ex-prefeito, o objetivo do partido é se consolidar entre as três principais siglas do Brasil, tendo uma das três maiores bancadas na Câmara dos Deputados, no Senado, além de candidaturas próprias, tanto para presidente quanto nos estados.

O presidente do PSD também comentou sobre o evento do grupo Prerrogativas, realizado no domingo (19), em que participou e que também teve a presença de Lula e Alckmin. De acordo com Kassab, a ação tinha cunho político, mas foi importante para a sinalização de parte dos presidentes de partidos pelo apoio a Lula no primeiro turno das eleições do ano que vem.

Para o ex-prefeito, tanto Lula quanto Alckmin transmitiram a perspectiva de caminharem juntos.

Kassab disse que não participou de uma foto com Lula e alguns presidentes de partido porque entendeu que o registro tinha conotação eleitoral e seria uma sinalização ruim para os integrantes do PSD, que esperam a candidatura própria. Ele ressaltou, porém, que cumprimentou o ex-presidente Lula no início do evento.

Pacheco e a disputa pela Presidência em 2022

Segundo o líder do PSD, desde 2018 o partido sinaliza independência em relação ao governo e a vontade de lançar um candidato próprio para a disputa do Executivo.

“Vamos manter essa posição até as eleições. Vamos ter candidato próprio à Presidência da República”, disse.

Ele ressaltou que não é “porque alguém está bem avaliado nas pesquisas eleitorais que o partido vai mudar o apoio”.

O PSD apoia a candidatura de Rodrigo Pacheco, integrante da sigla. Segundo Kassab, ele representa “a boa renovação na política brasileira”, tendo desempenhado bem nos últimos cargos a que foi eleito, chegando à presidência do Senado neste ano.

“Não é uma aposta em uma aventura, é alguém que faz gestão de um orçamento monstruoso, preside um Poder, o Legislativo, e é preparadíssimo. Será um grande presidente da República se tivermos oportunidade de elegê-lo”, colocou.

Na opinião de Kassab, Bolsonaro deve ter mais dificuldade nas próximas eleições do que o ex-presidente Lula, analisando os números das atuais pesquisas eleitorais. Ele argumenta que isso se deve, principalmente, ao atual cenário econômico do Brasil e à gestão do presidente na pandemia.

“Se algum dos dois não estiver no segundo turno, é mais provável que ele [Bolsonaro] não esteja”, pontou.

Kassab destaca que não há possibilidade de o PSD formar uma federação partidária. Nesse modelo, partidos podem se unir e atuar como uma sigla, mas devem seguir assim por quatro anos, impactando também as eleições municipais de 2024.

Por fim, o presidente do PSD disse que atualmente é um defensor do financiamento público da campanha eleitoral, com alguns critérios como teto de gastos para cada candidato no partido e exclusividade de uso do fundo eleitoral, não utilizando o partidário. “Mais saudável e barato para o Brasil”, concluiu.

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