Novo tarifaço: Governo federal tentou barrar investigação dos EUA
Após encontro com Trump, Brasília acreditava que poderia reduzir impacto da Seção301; decisão americana mudou avaliação do Planalto. A apuração é da âncora da CNN Tainá Falcão
O governo federal brasileiro tentou barrar a investigação conduzida pelos Estados Unidos que resultou na recomendação de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Brasília aguardava uma sinalização positiva dos americanos antes de a proposta ser formalizada. A apuração é da âncora da CNN Tainá Falcão.
Segundo informações apuradas nos bastidores do Palácio do Planalto, o governo brasileiro vinha com uma expectativa relativamente positiva em relação à investigação comercial, conhecida como Seção 301.
A expectativa era de que o encontro entre os dois líderes pudesse gerar algum efeito sobre a apuração, com a possibilidade de recuo em alguns pontos por parte dos americanos.
Expectativa frustrada após reunião em Washington
Após a reunião em Washington, integrantes do governo brasileiro retornaram ao país com a avaliação de que havia uma brecha para frear ou ao menos reduzir o alcance da investigação do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), o escritório do representante comercial dos Estados Unidos.
"A leitura ali era de que o diálogo direto dos presidentes poderia descontaminar parte dessa discussão e diminuir, como consequência, a pressão por novas sanções ao Brasil", relatou Tainá.
Com a decisão americana, anunciada nesta terça-feira (1), de propor a tarifa de 25% — que pode ser implementada no dia 25 de julho —, a avaliação no Planalto mudou completamente.
Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a entender que a investigação da Seção 301 nunca esteve restrita a termos comerciais.
O entendimento atual é de que os argumentos usados contra o Pix, contra políticas digitais do governo brasileiro, regras sobre o uso da inteligência artificial e as big techs voltaram a embasar medidas mais duras contra o país.
Componente político e atuação dos Bolsonaro
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que a decisão dos Estados Unidos está ligada a um conjunto amplo de divergências político-ideológicas e de posicionamento estratégico entre os dois governos.
Nesse contexto, aliados de Lula passaram a relacionar a medida dos 25% à atuação de interlocutores da família Bolsonaro — incluindo Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro — junto ao presidente americano.
A recente ofensiva de Flávio Bolsonaro em Washington, com reuniões junto a ao presidente americano, Donald Trump, e integrantes da Casa Branca e do Departamento de Estado, é citada como um elemento que pode ter contribuído para o endurecimento da posição americana.
Flávio Bolsonaro, em entrevista exclusiva à Itatiaia, negou ter atuado para prejudicar o Brasil, afirmando que pediu ao presidente americano para não tarifar o país.
O governo brasileiro também argumenta que os Estados Unidos não teriam razão para aplicar a tarifa de 25%, uma vez que o Brasil está entre os poucos países com os quais os americanos mantêm superávit comercial na relação bilateral.
Na visão de integrantes da equipe econômica, isso enfraquece a justificativa para as barreiras tarifárias.


