O destino e os vices

A História mostra que a escolha do candidato a ocupar o Palácio do Jaburu deve ser feita com o máximo cuidado possível

Bolsonaro e Mourão em evento no Palácio do Planalto
Bolsonaro e Mourão em evento no Palácio do Planalto 10/11/2021REUTERS/Ueslei Marcelino

Boris Casoyda CNN

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O presidente Jair Bolsonaro está pensando em trocar de vice na chapa em que concorre à reeleição. As mais recentes pesquisas mostram queda na popularidade do presidente-candidato. O nome do general Braga, um amigo fiel, traz confiança, agrada a amplos setores das Forças Armadas, mas não arrecada votos.

Então, Bolsonaro e seus auxiliares, incluindo muito provavelmente o Centrão, hoje alma de seu governo, chega ao nome da ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Considerada competente e fiel, ela é vista como alguém capaz de agregar eleitores.

Especulações à parte, as notícias sobre a escolha de candidatos a vice-presidente trazem à baila alguns fatos históricos que remetem ao extremo cuidado com que deve ser feita essa escolha. Não se trata de mau agouro ou presságio. Mas a História do pais tem elevado a importância da escolha. Basta lembrar as oportunidades criadas pelo destino para que os vice-presidente assumissem o poder em tempos recentes.

Na década de 1950, com o suicídio de Getúlio Vargas, o seu vice João Café Filho assumiu o governo. Naquela época, a Constituição de 1946 separa a eleição do presidente da do vice.

Depois do governo Juscelino, Jânio Quadros foi eleito presidente, tendo João Goulart, seu inimigo figadal, como vice. Após de poucos meses de governo Jânio Quadros renunciava. Jango, visto por militares como “perigoso comunista” só assumiu o governo num acordo que instituía o Parlamentarismo, depois revogado por uma consulta popular. Em março de 1964 Jango era derrubado pelos militares, num movimento civil-militar.

Mesmo no governo militar, com a morte do presidente Costa e Silva, o vice Pedro Aleixo, um civil, foi impedido de assumir o governo. Não tinha a confiança dos militares.

Em seguida veio Tancredo Neves e o Brasil assistiu à tragédia de sua morte. Ascendeu ao poder seu vice José Sarney.

Em seguida, na primeira eleição direta pós governo ditatorial, veio Fernando Collor. Este acabou renunciando ante a possibilidade iminente de sofrer impeachment O vice Itamar Franco assumiu a presidência da República.

Mais recentemente, com a queda da presidente Dilma, mais uma vez um vice foi chamado ao Planalto: Michel Temer.

Apesar dos dias bicudos em que vivemos, espera-se que tudo corra na mais perfeita ordem. Mas a História mostra que as qualidades de alguém que irá para o Palácio do Jaburu devem ser escolhidas com máximo de cuidado possível. O destino está sempre à espreita.

Debate

CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

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