O Grande Debate: Áudio de Flávio com Vorcaro abre espaço para 3ª via?
Gravação revela negociação de R$ 134 milhões com o dono do Banco Master para financiar filme sobre Jair Bolsonaro e acirra pressão por CPMI
O senador Carlos Viana (PSD-MG) e o deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ) debateram, nesta quarta-feira (13), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se o áudio de Flávio com Vorcaro abre espaço para 3ª via?
Uma reportagem do site Intercept Brasil revelou uma troca de áudios entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, na qual são negociados cerca de 24 milhões de dólares — aproximadamente R$ 134 milhões — para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso gerou amplo debate político sobre seus possíveis impactos nas eleições presidenciais e sobre a necessidade de investigações parlamentares.
No áudio divulgado, o interlocutor identificado como Flávio Bolsonaro apela a Vorcaro por uma resposta sobre o repasse financeiro, alertando para o risco de inadimplência com a equipe do filme. "A gente precisa saber o que faz, cara, da vida, porque já tem muita conta para pagar esse mês e mês seguinte também", diz o áudio. Flávio Bolsonaro confirmou as negociações e afirmou que os áudios mostram o filho procurando investimentos para fazer um filme sobre o próprio pai. Ele também pediu a criação de uma CPI do Banco Master.
Impacto eleitoral e debate sobre terceira via
O deputado Tarcísio Motta classificou a revelação como "um golpe fortíssimo nas pretensões eleitorais da família Bolsonaro, especialmente do Flávio Bolsonaro". Para ele, o áudio evidencia uma ligação entre o clã Bolsonaro e o que chamou de "esquema de corrupção no setor bancário". Motta ainda afirmou que "o projeto em torno da família Bolsonaro está desmoronando" e que, nos círculos bolsonaristas, já se fala em substituir Flávio por Michelle Bolsonaro. Sobre a terceira via, o deputado ponderou que as tentativas recentes nesse sentido, em um país muito polarizado, não prosperaram.
Já Carlos Viana avaliou que a terceira via poderia surgir mais à frente, argumentando que "a polarização hoje cansou os brasileiros" e que "há possibilidade de novos candidatos surgirem e com um discurso conquistarem esse brasileiro que não quer essa polarização". Viana também questionou o momento de divulgação dos áudios, sugerindo que eles teriam surgido agora em razão da alta rejeição a Lula. "A meu ver, áudios como esse surgiram hoje porque a rejeição ao presidente Lula é insustentável", afirmou.
Pressão por CPMI do Banco Master
A divulgação das conversas intensificou a pressão por investigações no Congresso sobre o Banco Master. Parlamentares da oposição e da base governista passaram a defender publicamente a abertura de uma CPI ou CPMI sobre o caso. Carlos Viana informou ter protocolado um novo pedido de criação de CPMI para investigar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e influência política ligadas ao banco. Até o momento da reportagem, ao menos quatro iniciativas semelhantes já haviam sido apresentadas ou articuladas, sem que a cúpula do Congresso — nem a Presidência da Câmara nem a do Senado — tivesse sinalizado abertura para que os trabalhos começassem no ano corrente.
Tarcísio Motta defendeu que a CPMI "tenha autonomia para investigar" e que "não pode estar controlada de forma a esconder, doe a quem doer, as investigações das relações políticas com o esquema de corrupção do Banco Master". Ele mencionou ainda o pedido de CPMI protocolado pelas deputadas Fernanda Melchiona e Heloísa Helena, de sua bancada. Carlos Viana, por sua vez, alertou para informações de que teria sido feito um acordo para que a CPMI do Banco Master não fosse levada à frente, e defendeu que "nós não podemos aceitar nenhum tipo de acordo que impeça o povo brasileiro de saber o que aconteceu, independentemente de quem esteja envolvido".


