O Grande Debate: Governo acertou ou errou em estratégia contra tarifaço?

Talíria Petrone (PSOL-RJ) defende postura soberana do governo, enquanto Rodrigo Valadares (PL-SE) critica ausência de representantes nas audiências em Washington

Da CNN Brasil
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Os deputados federais Rodrigo Valadares (PL-SE) e Talíria Petrone (PSOL-RJ) debateram, na quarta-feira (15), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre se o "governo acertou ou errou na estratégia contra o tarifaço dos Estados Unidos?"

O USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) concluiu, após investigação com base na legislação comercial americana, que o Brasil adota práticas discriminatórias no comércio com os norte-americanos. Com isso, foi defendida a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre as exportações brasileiras.

Um dos pontos centrais do debate é o fato de o governo brasileiro não ter enviado representantes para discursar nas audiências realizadas em Washington, onde foi discutida a imposição da sobretaxa. A ausência gerou controvérsia e dividiu opiniões sobre se a estratégia adotada foi acertada ou equivocada.

Defesa da soberania nacional

A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) avaliou que é preciso compreender o contexto mais amplo da disputa comercial. Segundo ela, os Estados Unidos têm interesse econômico significativo no Brasil, especialmente diante do avanço da China no cenário global.

"O Brasil é uma potência econômica, ecológica, é só olhar, por exemplo, para as terras raras", afirmou. Para Petrone, o governo brasileiro buscou manter o diálogo com os norte-americanos com foco nos interesses econômicos mútuos.

A deputada também criticou o que chamou de interferência de setores da oposição nas negociações, citando reuniões do ex-deputado Eduardo Bolsonaro com autoridades norte-americanas. "Eduardo Bolsonaro reuniu com autoridades estadunidenses para pedir a imposição de tarifas que vão atrapalhar empresários e trabalhadores brasileiros", declarou.

Críticas à condução do governo

O deputado Rodrigo Valadares (PL-SE), por sua vez, responsabilizou diretamente o governo pela situação. Para ele, a não participação nas audiências em Washington evidencia descaso com a pauta comercial.

"Vejam a importância que o atual ocupante do poder deu ao tema das tarifas: sequer mandou um representante", afirmou. Valadares também criticou declarações públicas feitas contra o governo norte-americano ao longo dos últimos anos, argumentando que tais posicionamentos teriam prejudicado a relação diplomática entre os dois países.

"O próprio governo americano disse que o governo brasileiro não teve uma boa condução e isso resultou nas tarifas", acrescentou.

Impacto eleitoral do tarifaço

Quando questionados sobre o peso do tarifaço nas eleições presidenciais, os deputados mantiveram posições opostas.

Petrone afirmou que as pesquisas indicam vantagem do atual governo no cenário eleitoral e defendeu que a proteção da soberania nacional e da economia brasileira deve estar acima de disputas partidárias. "Isso não é um tema de esquerda ou de direita, proteger a economia brasileira e a soberania nacional deveria ser algo que todos os representantes políticos deveriam fazer", disse.

Já Valadares sustentou que a responsabilidade pelo tarifaço recai sobre o atual governo e que o episódio terá impacto negativo nas urnas. "O peso vai ficar claro pelo culpado do tarifaço, que é o atual presidente", declarou.

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