Oposição libera plenário do Senado após duas noites de ocupação

Sessão deliberativa na Casa está marcada para 11h

Manoela Carlucci e Hallyme Ximendes, da CNN, São Paulo
Compartilhar matéria

Após dois dias de ocupação, os parlamentares de oposição liberaram, na manhã desta quinta-feira (7), o plenário do Senado Federal.

"Estamos neste momento nos retirando da Mesa do Senado da República para que os trabalhos possam fluir normalmente. Agora, 11h, terá uma sessão virtual. Se o presidente entender por bem poderá ser presencial", disse o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da Oposição na Casa.

Quando marcou a sessão deliberativa para às 11h de hoje, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), alegou que ela aconteceria mesmo de forma remota para “garantir o funcionamento da Casa e impedir que a pauta legislativa, que pertence ao povo brasileiro, seja paralisada”.

"Nós estamos desobstruindo, colocando a nossa posição de participarmos dos debates, toda a oposição participará dos debates que ocorrerão normalmente, nas pautas que interessam o Brasil", acrescentou Marinho.

A ocupação da oposição se deu tanto no Senado quanto na Câmara, após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), decretar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A promessa que tinha sido feita pelos deputados e senadores era obstruir a pauta do Congresso Nacional até que os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado dialogassem sobre a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e sobre projetos “anti-STF”.

Ainda durante a coletiva de imprensa, Marinho disse que a oposição reuniriu 41 assinaturas em apoio ao pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Apesar do feito, o movimento não passa de uma sinalização da oposição em demonstrar que o texto terá quórum para ser aprovado no Senado, caso o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), paute um dos pedidos contra o magistrado.

De acordo com senador, o objetivo agora é discutir “as pautas que interessam a todos, independente da questão ideológica, da questão da preferência de quem quer que seja".

“Nós tivemos nos últimos dois dias com uma atitude extraordinária, fazendo praticamente a interdição, a ocupação das mesas diretoras das duas Casas. Entendemos que foi um gesto excepcional, mas tivemos o respaldo muito forte da população brasileira e quero agradecer a todos aqueles que nos apoiaram nesse momento e dizer que a vida continua e vai vencer o Brasil no final”, completou.

Articulação para pautar projetos

Rogério Marinho também comentou sobre um suposto acordo fechado no dia anterior, na Câmara dos Deputados para pautar projetos que são de interesse da oposição.

“Ontem, na Câmara dos Deputados, e aqui está o deputado Sóstenes, conseguiu uma vitória importante de que há uma desobstrução das pautas das próximas semanas pela vontade da maioria dos líderes que representam a maioria dos deputados naquela casa terá prosseguimento votação projetos que consideramos essenciais para reestabelecer a normalidade democrática no país, tanto a e questão do fim do foro como a questão da anistia, que vai permitir que o país possa se reconciliar sendo aprovado esse projeto”, afirmou.