Para Maia, decisão do STF sobre Ramagem ‘deve estar baseada em fatos’

"Não cabe a mim discutir uma decisão do ministro do Supremo. Deve estar baseada em fatos. Nós respeitamos", disse o presidente da Câmara

Noeli Menezes, da CNN em Brasília

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quarta-feira (29) que acredita que o ministro Alexandre de Morais, do STF (Supremo Tribunal Federal), tenha se baseado em fatos ao determinar a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal.

“Não cabe a mim discutir uma decisão do ministro do Supremo. Deve estar baseada em fatos. Nós respeitamos”, declarou Maia.

Entre as razões para a decisão, Morais alegou “a ocorrência de desvio de finalidade do ato presidencial de nomeação do diretor da Polícia Federal, em inobservância aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade e do interesse público”. Ramagem é amigo dos filhos de Bolsonaro.

 

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E daí?

Maia classificou como uma “frase mal colocada” a reação de Bolsonaro com um “e daí” ao ser questionado sobre o número recorde de mortos pelo novo coronavírus registrado no país nesta terça-feira.

“Cada um responde à crise de uma forma. Eu não vou imaginar que o presidente, por uma frase mal colocada, esteja tratando como irrelevante as mortes de brasileiros. Tenho certeza de que não. Uma frase mal colocada gera polêmica. Mas nenhum governante vai minimizar ou tratar com desdém a perda de vida de brasileiros”.

Já sobre a relação que o presidente fez entre as mortes por COVID-19 e o isolamento social, Maia afirmou que essa tese “diverge daquilo que todos os especialistas de saúde têm defendido no Brasil e no mundo” e lembrou que a Alemanha flexibilizou o isolamento e foi obrigada a voltar com restrições mais fortes depois que viu o número de casos aumentar.

O democrata defendeu ainda a realização de um grande debate sobre o tema, com especialistas, ministro da Saúde, governadores, prefeitos e secretários de saúde.

“É preciso discutir tecnicamente essa questão. Quais as regiões onde é preciso maior isolamento, onde não precisa? Não pode ser um enfrentamento em que os que estão preocupados com seus negócios ficam pressionando pelo fim do isolamento. Precisamos de um debate técnico para chegarmos ao melhor caminho”.

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