Parlamentares evangélicos ampliam pressão sobre Senado e falam em “guerra santa”

Operação inclui avançar sobre os indecisos, diálogo com a esquerda, pressão de pastores nos estados e mobilização de fiéis no dia da sabatina

Caio Junqueira

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Evangélicos ampliaram a pressão sobre o Senado para pressionar os parlamentares a aprovar o nome de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal.

A operação já foi deflagrada e inclui avançar sobre os indecisos, diálogo com a esquerda, pressão de pastores nos estados e mobilização de fiéis no dia da sabatina.

Uma “guerra santa”, segundo o deputado federal Sóstenes Cavalcante, uma das principais lideranças evangélicas do Congresso e coordenador da campanha de Mendonça no Senado.

“Virou uma guerra santa, lamentavelmente, por causa desse longo período nunca existente na história de demora para uma sabatina. Currículo ele tem. No que ele é diferente? É o fato de ser evangélico. Por que Kássio Nunes demorou 15 dias e o André 4 meses?”.

Ele disse à CNN que o mapa dos votos aponta que hoje Mendonça teria entre 50 e 55 votos dos 81 senadores. “(A aprovação do) do André já está definida. Será entre 50 e 55 votos. O trabalho foi bem-feito. Ele fez a parte dele e nós evangélicos nos estados. A gente tem o mapa”, afirmou.

As maiores dificuldades, segundo Sóstenes, estão nas maiores bancadas, MDB e PSD. Mas o outro coordenador da campanha, deputado Cezinha da Madureira, tem trabalhado diretamente, por exemplo, com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, para que ajude a levar os votos para Mendonça.

Há previsão também de que haja ausências, em especial por motivos de saúde. Pelo menos seis senadores nas contas dele não devem comparecer.

Sóstenes afirma ainda que agora o foco está nos que ainda não fecharam compromisso de voto com eles, algo em torno de 20 senadores. Além disso, também estão tentando atrair o voto da esquerda.

“Devemos ter grata surpresa da esquerda. Os parlamentares da esquerda não ganham nem perdem nada em apoiar um ministro para o STF. Então temos feito um diálogo com eles”.

De acordo com Sóstenes, a sinalização da sabatina alterou a estratégia na reta final. Agora, um grupo de 54 deputados federais evangélicos está distribuído em todos os estados para pedirem voto aos senadores e, também, ajuda às lideranças religiosas nos estados para que peçam votos.

Há ainda a possibilidade de uma mobilização de evangélicos dentro e fora do Congresso, já que haverá fiéis em Brasília na próxima semana em razão do feriado no dia 30, o Dia do Evangélico.

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