Paulo Sérgio se desculpa por falar em “guerra” contra o TSE
Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República, ex-ministro teria ajudado Bolsonaro na redação da minuta do golpe
Durante interrogatório no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (10), o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira se desculpou por dizer que estava em "guerra" contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As falas foram proferidas após as eleições de 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) saiu derrotado das urnas, e o ministro Alexandre de Moraes presidia o TSE.
"Primeiramente eu queria me desculpar publicamente por ter feito essas colocações naquele dia", respondeu Nogueira ao ser questionado por Moraes, que é relator do caso que apura uma tentativa de golpe de Estado no país, em que o ex-ministro é réu.
"Eu tinha assumido o Ministério da Defesa em abril de 22, eu não tinha nem três meses de MD [Ministério da Defesa]. Vinha do Exército Brasileiro, com 47 anos de Exército, talvez, com aquela postura de militar, e vendo aos poucos que na Defesa as coisas seriam diferentes", complementou.
Os resultados eleitorais de 2022 foram contestados oficialmente pelo governo. Membros das Forças Armadas inspecionaram códigos-fontes das urnas eletrônicas e emitiram um relatório posterior confirmando que não foram encontrados indícios de fraude no sistema.
Ainda em depoimento ao Supremo, o ex-chefe da pasta de Defesa negou que teve a intenção de confrontar o TSE e que não havia sido “legal” nas palavras usadas no comunicado divulgado.
"Quando esse relatório saiu (...) eu soltei essa nota logo após a divulgação do relatório pelo TSE. Nas palavras não fui legal, mas eu queria desvincular o relatório com a fraude", afirmou o ex-ministro durante interrogatório no Supremo. "O que coloquei na nota estava no relatório. (...) Eu não tive nenhuma intensão de confrontar o TSE."
E acrescenta: "Se fosse hoje, eu não faria essa nota ou faria um esclarecimento."
O ex-ministro é réu do "núcleo crucial" da ação que apura uma tentativa de golpe de Estado. Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), ele teria ajudado o ex-presidente na redação da "minuta do golpe" e apresentado o documento aos comandantes das Forças Armadas, buscando apoio.
Ele é acusado também de buscar formas para endossar críticas às urnas eletrônicas para inflar a desconfiança popular no sistema eleitoral.


