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    Eleições 2022

    Pela primeira vez nas eleições, candidatos negros serão maioria nas urnas

    Segundo dados do TSE, soma de candidatos que se declaram pretos e pardos, 49,57%, supera a quantidade de brancos: 48,86%

    Carolina CerqueiraSalma Freuada CNN

    em São Paulo

    Pela primeira vez, o número de pedidos de registro de candidatos negros junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) superou o de candidatos brancos, de acordo com a classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O IBGE considera o número de negros a soma dos declarados pretos ou pardos.

    Segundo dados do tribunal, foram registradas 14.015 candidaturas negras (49,57%) e 13.814 brancas (48,86%) para as eleições gerais deste ano. Entre os negros, são 3.936 pretos (13,92%) e 10.079 pardos (35,65%).

    Em 2018, foram 13.543 negros e 15.241 brancos. Quatro anos antes, em 2014, quando o TSE adotou a classificação por cor e raça, 11.579 candidatos negros e 14.377 brancos concorreram.

    Apesar do avanço, os dados escondem pontos importantes, diz Tauá Pires, coordenadora de Justiça Racial e de Gênero da Oxfam Brasil.

    À CNN, ela afirma que, se for mantido o ritmo do crescimento de negros, demorará 20 anos para alcançar a paridade. Segundo ela, as candidaturas masculinas são responsáveis por “puxar o número de pretos e pardos para cima”, enquanto as mulheres continuam sendo minoria.

    “Temos obstáculos para as mulheres, mas temos ainda mais para as mulheres negras. Quando a gente junta os recortes de gênero e raça, o problema se mostra mais evidente”, diz Tauá Pires.

    Entre os negros, são 9.163 homens e 4.890 mulheres. Proporcionalmente, são mais homens pardos (6.919) do que mulheres pardas (3.187). O mesmo acontece entre os homens pretos (2.244) e as mulheres pretas (1.703).

    Tauá Pires destaca ainda a baixa taxa de eleição dos candidatos negros. Em 2018, apesar de os negros representarem 46,56% dos candidatos, apenas 24,36% dos candidatos eleitos foram negros.

    Segundo a coordenadora, as pessoas negras são vistas como pessoas que se limitam a pautas identitárias.

    “É um pensamento antiquado. Essas pessoas podem defender diversas pautas, mas raramente encontram espaço. E ainda que defendam pautas identitárias, isso diz respeito à toda a sociedade e influencia a vida de todos”, afirma.

    Candidatas indígenas

    O número de pedidos de registro de candidatas indígenas também é recorde nas eleições deste ano. Ainda assim, representa apenas 0,87% dos candidatos apresentados, o que equivale a 82.

    Em relação a 2018, há um aumento de 67,3%. Na ocasião, foram 49 pedidos de registro. Em 2014, foram 29.

    Tauá Pires afirma que, sem diversidade de representantes na política, não haverá diversidade de políticas públicas.

    “Quem toma as decisões precisa estar ligado à realidade para conseguir pautar e debater de forma adequada questões que só atingem determinados públicos.”

    A coordenadora diz que é preciso haver cobrança por parte da sociedade para que os partidos adotem cada vez mais medidas para aumentar o número de candidatos e governantes racializados. E, mesmo que a passos lentos, a mudança irá acontecer.

    “Quanto mais diversidade no perfil dos eleitos, mais políticas de inclusão teremos porque essas novas pessoas serão capazes de olhar para essa questão”, acrescenta.

    Passa a valer nesta eleição uma decisão do TSE relacionada ao repasse de recursos do “fundão” e de tempo de TV e rádio para candidatos pretos e pardos. De acordo com entendimento do Tribunal, a distribuição destes insumos “deve ser proporcional ao total de candidatos negros que o partido apresentar para a disputa eleitoral”.

    Fotos — Os candidatos e candidatas a vice-presidente em 2022