PF diz que “estrutura paralela” da Abin tentou blindar núcleo político

STF retirou o sigilo do relatório da PF nesta quarta-feira (18)

Leticia Martins e Douglas Porto, da CNN, São Paulo
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No relatório da Polícia Federal (PF) sobre a Abin Paralela, que teve o sigilo retirado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (18), a corporação afirma que a "estrutura paralela" tentou blindar o núcleo político.

O grupo era formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu filho, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL) e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da agência.

A “estrutura paralela” de inteligência, dentre suas tarefas identificadas, era responsável pela realização de ações clandestinas, difusão de desinformação e a blindagem do NÚCLEO POLÍTICO em verdadeira ação de contrainteligência privada", cita a PF.

Além da ferramenta de espionagem "First Mile", eram utilizadas toda a estrutura e recursos disponíveis na Abin, continua a Polícia Federal.

"É importante destacar as ações clandestinas desenvolvidas por este grupo isolado da atuação regular dos demais servidores da Abin, que não aderiram ou sequer tinham ciência dos objetivos do grupo infiltrado, e seguiram trabalhando em prol da produção e difusão de conhecimentos voltados para assessoramento do processo decisório e da ação governamental, de maneira que os fatos apurados, por mais graves que sejam, não devem ser utilizados para criminalizar a atividade de inteligência de Estado", destacou a PF.