Ex-governador do Rio Cláudio Castro e dono da Refit são alvos da PF
Operação bloqueia R$ 52 bilhões de grupo do setor de combustíveis
A PF (Polícia Federal) cumpre mandados de busca e apreensão, na manhã desta sexta-feira (15), contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e contra o dono da Refit, Ricardo Magro.
Os agentes cumprem as buscas na casa de Castro, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A ordem foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de cargos públicos nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.
Além de Castro e Refit, foram alvos da operação:
- Guaracy Viana, desembargador afastado
- Renan Saad, ex-procurador do estado
- Juliano Pasqual, ex-secretário da Fazenda do RJ
À CNN, Carlo Luchione, advogado de Cláudio Castro, diz que ainda não tem conhecimento da motivação da busca e apreensão.
Entenda
O Supremo determinou o bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos financeiros do grupo Refit, além da suspensão de atividades econômicas da empresa.
Segundo fontes da PF, a busca se deve dentro das apurações do caso Refit, que revelou um dos maiores esquemas de sonegação de impostos do Brasil.
A antiga refinaria de Manguinhos obteve, em 2023, do então governo Cláudio Castro, um incentivo fiscal para ampliar seu mercado no setor de óleo diesel.
Moraes determinou a decisão dentro da ADPF das Favelas, ajuizada no Supremo em 2019 pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), que questiona a violência policial em operações nas comunidades do Rio de Janeiro e busca estabelecer diretrizes para reduzir a letalidade policial.
Dono da Refit na Interpol
O ministro do STF ainda determinou a inclusão do nome de Ricardo Magro na Difusão Vermelha, da Interpol. Com isso, ele passa a ser procurado internacionalmente em 196 países.
Após o pedido da Polícia Federal ser enviado à Interpol, a solicitação passará por uma análise. E com base na eventual inclusão, ele pode ser preso em qualquer país que faça parte da rede internacional de polícias.
Nota de Castro
"A defesa do ex-governador do Rio Claudio Castro afirma que foi surpreendida com a operação de hoje e que ainda não tomou conhecimento do objeto do pedido de busca e apreensão. No entanto, Castro está à disposição da Justiça para dar todas as explicações convicto de sua lisura.
Todos os procedimentos praticados durante a sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente, inclusive aqueles relacionados à política de incentivos fiscais do Estado, que seguem normas próprias, análises técnicas e deliberação dos órgãos competentes.
É de suma importância destacar que a gestão Cláudio Castro foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos pagasse dívidas com o estado, o que reforça a postura isenta e institucional do ex-governador. No total, gestão conseguiu garantir o pagamento de parcelas cujo montante se aproxima de R$ 1 bilhão.
Atualmente, o parcelamento se encontra suspenso por força de decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em agravo de instrumento.
Ao longo da gestão, a PGE (Procuradoria Geral do Estado) ingressou com inúmeras ações contra a Refit, o que demonstra que a Procuradoria sempre atuou para que a empresa pagasse o que deve ao Estado."
Nota da Refit
"Com relação à Operação Sem Refino desta sexta-feira (15), a Refit esclarece não conhecer os investigados Alvaro Barcha Cardoso e Diego Gonçalves, apontados como supostos intermediários da companhia em conversas com fiscais da Fazenda do Rio.
Importante esclarecer que a Refit não foi beneficiada pelo programa especial de parcelamento de créditos do governo do Estado do Rio de Janeiro, criado em outubro do ano passado. A companhia não é elegível ao Refis 2025, uma vez que já possui um parcelamento em vigor junto ao governo desde 2023.
Demais questões tributárias envolvendo a companhia estão sendo discutidas no âmbito judicial e administrativo, como fazem diversas companhias do setor, incluindo a própria Petrobras, atualmente uma das maiores devedoras de tributos do Estado do Rio de Janeiro
A Refit jamais falsificou declarações fiscais para ter vantagens tributárias. Laudos científicos da carga apreendida nas últimas operações comprovam que o produto importado se trata de óleo bruto de petróleo, conforme devidamente declarado na documentação de importação. Causa estranheza a Receita Federal impedir a realização da perícia judicial que possa corroborar os laudos de profissionais já apresentados em juízo.
Importante ressaltar ainda que o advogado Tiago Cedraz não presta serviços para Refit.
Com relação à Tobras Distribuidora de Combustível, não há nenhuma interferência da Refit na decisão do INEA de cancelar sua licença. A decisão, muito provavelmente, tem a ver com as irregularidades cometidas pelos seus acionistas que são os mesmos da Copape, empresa investigada por ter envolvimento com o PCC e fechada pela ANP."


