PF: Grupo da Abin buscou interferir no resultado da eleição de 2022

Supremo Tribunal Federal derrubou sigilo de relatório da Polícia Federal sobre a "Abin Paralela"

Maria Clara Matos, da CNN, São Paulo
Fachada Abin Agência Brasil
Fachada Abin Agência Brasil  • Antonio Cruz/Agência Brasil
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Após a queda do sigilo do relatório sobre o uso de um programa secreto de monitoramento pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro, conhecido como "Abin paralela", o documento da Polícia Federal (PF) afirma que um grupo da agência buscou interferir no resultado da eleição presidencial de 2022.

"As ações dos investigados, portanto, são direcionadas para criação e instigação de cenário de hostilidade institucional por meio da propagação e difusão de desinformação com intuito de interferir em ações legitimas dos poderes constituídos", aponta relatório da PF.

"O direcionamento de ações contra o Delegado FLÁVIO VIEITEZ REIS, então responsável pela investigação sobre o uso da PRF no segundo turno das Eleições Gerais de 2022 para interferir no seu resultado", completa.

Segundo a investigação, a estrutura paralela da Abin teria sido utilizada para atender a interesses do “núcleo político” de Bolsonaro, dias antes das eleições gerais de 2022, que aconteceram em outubro.

Outro ponto relativo ao pleito, segundo a PF, foi uma determinação de Ramagem, ainda em 2020, para uma análise de possível “interferência externa” nas eleições brasileiras por parte da empresa de tecnologia Positivo.

A desinformação produzida em torno da narrativa teria sido estruturada pelo órgão de inteligência. A relação é a de que a Positivo teria vencido a licitação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para fornecer urnas eletrônicas.

“Nesta trilha, a estrutura clandestina de inteligência implementada sob a Direção de RAMAGEM era integrada por policiais federais e outros servidores cedidos à ABIN, alguns oficiais de inteligência e integrantes do espectro político. Esta estrutura utilizou-se dos recursos da Agência para atender interesses particulares de ordem política, incluindo ações destinadas a influenciar o resultado das eleições presidenciais de 2022”
Relatório da Polícia Federal sobre a

De acordo com o Supremo, a decisão de retirar o sigilo "foi tomada após a constatação de vazamentos seletivos de trechos do relatório policial, que resultaram em matérias contraditórias na imprensa".

A PF aponta os seguintes nomes como principais envolvidos:

  • Alexandre Ramagem: apontado como líder operacional da estrutura criminosa na Abin;
  • Carlos Bolsonaro: tido como idealizador da estrutura paralela;
  • Jair Bolsonaro: apontado como beneficiário direto das operações;
  • Diversos policiais federais e servidores da Abin: envolvidos na execução e blindagem da estrutura.