PF: Grupo da Abin buscou interferir no resultado da eleição de 2022
Supremo Tribunal Federal derrubou sigilo de relatório da Polícia Federal sobre a "Abin Paralela"

Após a queda do sigilo do relatório sobre o uso de um programa secreto de monitoramento pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro, conhecido como "Abin paralela", o documento da Polícia Federal (PF) afirma que um grupo da agência buscou interferir no resultado da eleição presidencial de 2022.
"As ações dos investigados, portanto, são direcionadas para criação e instigação de cenário de hostilidade institucional por meio da propagação e difusão de desinformação com intuito de interferir em ações legitimas dos poderes constituídos", aponta relatório da PF.
"O direcionamento de ações contra o Delegado FLÁVIO VIEITEZ REIS, então responsável pela investigação sobre o uso da PRF no segundo turno das Eleições Gerais de 2022 para interferir no seu resultado", completa.
Segundo a investigação, a estrutura paralela da Abin teria sido utilizada para atender a interesses do “núcleo político” de Bolsonaro, dias antes das eleições gerais de 2022, que aconteceram em outubro.
Outro ponto relativo ao pleito, segundo a PF, foi uma determinação de Ramagem, ainda em 2020, para uma análise de possível “interferência externa” nas eleições brasileiras por parte da empresa de tecnologia Positivo.
A desinformação produzida em torno da narrativa teria sido estruturada pelo órgão de inteligência. A relação é a de que a Positivo teria vencido a licitação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para fornecer urnas eletrônicas.
“Nesta trilha, a estrutura clandestina de inteligência implementada sob a Direção de RAMAGEM era integrada por policiais federais e outros servidores cedidos à ABIN, alguns oficiais de inteligência e integrantes do espectro político. Esta estrutura utilizou-se dos recursos da Agência para atender interesses particulares de ordem política, incluindo ações destinadas a influenciar o resultado das eleições presidenciais de 2022”
De acordo com o Supremo, a decisão de retirar o sigilo "foi tomada após a constatação de vazamentos seletivos de trechos do relatório policial, que resultaram em matérias contraditórias na imprensa".
A PF aponta os seguintes nomes como principais envolvidos:
- Alexandre Ramagem: apontado como líder operacional da estrutura criminosa na Abin;
- Carlos Bolsonaro: tido como idealizador da estrutura paralela;
- Jair Bolsonaro: apontado como beneficiário direto das operações;
- Diversos policiais federais e servidores da Abin: envolvidos na execução e blindagem da estrutura.


