PGR denuncia Arthur Lira, deputado do centrão, por corrupção no Supremo

Lira é acusado de receber propina de R$ 1,6 milhão da empreiteira Queiroz Galvão em troca do apoio do PP à manutenção de diretor da Petrobras

Deputado Arthur Lira (PP-AL) durante sessão na Câmara dos deputados (27.ago.2019)
Deputado Arthur Lira (PP-AL) durante sessão na Câmara dos deputados (27.ago.2019) Foto: CNN Brasil

Gabriela Coelho e Caio Junqueira

Da CNN, em Brasília e em São Paulo

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (5), sob acusação do crime de corrupção passiva, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), um dos líderes do centrão.

Lira é acusado de receber propina de R$ 1,6 milhão da empreiteira Queiroz Galvão, em troca do apoio do PP à manutenção do então diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

A acusação surgiu no início da Operação Lava Jato, a partir da delação premiada do doleiro Alberto Youssef. A denúncia é assinada pela subprocurador-geral da República Lindôra Maria Araújo, coordenadora da Lava Jato na PGR.

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No ano passado, o deputado federal se tornou réu no Supremo pela segunda vez. A decisão foi tomada pela Primeira Turma da Corte, que viu indícios suficientes de autoria do crime de corrupção passiva a justificar o prosseguimento das investigações em uma ação penal.

Lira também já é réu no Supremo em outro processo — o inquérito da Operação Lava Jato apelidado de “quadrilhão do PP”. Ele responde por organização criminosa por suposta participação em esquema de desvios que perdurou por cerca de uma década, causando prejuízo de R$ 29 bilhões à Petrobras.

Em nota, o advogado Pierpaolo Bottini, que defende Lira, disse que o deputado “fez parte de um grupo que assumiu a liderança do PP e afastou Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef do partido. Fato já provado e que explica a inimizade dos colaboradores e suas reiteradas tentativas de envolver o parlamentar em ilícitos dos quais não participou”.

No comunicado, o advogado afirma que “o doleiro diz que Arthur Lira recebeu indevidos valores por meio de um operador chamado Ceará, mas esse último – também colaborador – desmente tal versão em dois depoimentos. O próprio STF reconheceu as inverdades de Youssef em outros depoimentos contra a Arthur Lira. Fundamentar uma denúncia nas palavras desse doleiro é premiar um ato de vingança contra alguém que se postou contra suas práticas”.

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