PGR denuncia governador do Acre por cinco crimes e prejuízo de R$ 11,7 milhões aos cofres públicos
Subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos pediu o afastamento de Gladson Cameli (PP) até o fim do processo
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o governador do Acre, Gladson Cameli (PP) e outras doze pessoas, incluindo sua esposa, dois irmãos, servidores e empresários.
Eles foram acusados da prática dos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude a licitação.
A denúncia foi apresentada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta terça-feira (30), pelo subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos. O caso está com a ministra Nancy Andrighi. A PGR também pediu o afastamento do cargo de governador.
Segundo a denúncia, os crimes começaram em 2019 e teriam causado prejuízos de quase R$ 11,7 milhões aos cofres públicos.
O caso é relacionado com as investigações da operação Ptolomeu, que apurou um esquema de desvio de recursos públicos e de lavagem de dinheiro. A investigação foi desencadeada pela Polícia Federal (PF) e PGR, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).
Segundo a PGR, Cameli comandou um esquema de fraude de licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, por meio de contratação fraudulenta de empresas.
Foram apuradas supostas irregularidades na contratação da empresa Murano Construções LTDA, que teria recebido R$ 18 milhões dos cofres públicos para a realização de obras de engenharia viária e de edificação.
Conforme a denúncia, a Murano contratou empresas para tocar as obras contratadas. Uma das companhias subcontratadas teria como sócio um irmão do governador.
“De acordo com as investigações, a empresa Murano Construções e empresas subcontratadas - uma das quais tem como sócio Gledson Cameli, irmão do governador – teriam pagado propina ao chefe do executivo estadual em valores que superam os R$ 6,1 milhões, por meio do pagamento de parcelas de um apartamento em bairro nobre de São Paulo e de um carro de luxo”, disse a PGR.
A PGR afirmou que o esquema teria causado um sobrepreço de R$ 8,8 milhões, além de um superfaturamento de R$ 2,9 milhões nos serviços contratados pelo Acre com a Murano.
Outro lado
Em nota, a defesa do governador classificou o pedido de afastamento como "arbitrário e absurdo".
"Não há nenhum fato novo que justifique esse pedido de afastamento. Ele decorre de um outro pedido que já tinha sido indeferido pelo Superior Tribunal de Justiça. É além de tudo, ele foi feito na vagância do cargo de procurador-geral da República", diz a nota assinada pelo advogado Pedro Ivo.
A defesa afirma ainda que "toda a investigação é toda ilegal" e diz que a operação foi feita pela Polícia Federal de Cruzeiro do Sul não tinha competência para investigar o governador Gladson Cameli. Além disso, cita que houve a quebra de sigilo do filho do governador de apenas 7 anos.
"É não há nenhuma ilegalidade atribuível ao governador Gladson Cameli. As obras foram todas executadas e entregues ao povo do Acre, que reelegeu Gladson Cameli no primeiro turno. Esse pedido de afastamento é uma afronta ao mandato conferido pelo povo do Acre. O governador Gladson Cameli confia no Poder Judiciário, Superior Tribunal de Justiça e fará sua defesa e tem a convicção que esse pedido ao final será indeferido", encerra a nota.


