"Piraram": Vorcaro reclamou de lista de nomes que bancaria em Londres

Convidados precisavam passar por aprovação do ministro Alexandre de Moraes, de acordo com a investigação da PF

Manoela Carlucci, da CNN Brasil, São Paulo
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Mensagens obtidas pela PF (Polícia Federal) a partir da apreensão de um dos celulares do ex-banqueiro Daniel Vorcaro mostram a organização do evento "II Fórum Jurídico Londres Brasil de Ideias", em 2025, e a exasperação do ex-banqueiro com o tamanho de uma comitiva cujas despesas ele supostamente bancaria. A troca de mensagens consta em um relatório tornado público nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Em uma dessas conversas, Vorcaro comenta uma lista com seis nomes de pessoas que queriam para participar do evento em Londres, mas pediram para o ex-banqueiro arcar com os custos da viagem.

"Que isso gente, piraram", responde Vorcaro a um contato salvo como "Ana Matos".

Dentre os nomes na lista enviada por Ana, constava o filho do procurador-geral da República Pedro Gonet.

"Piraram, totalmente. Eu já falei que não era evento aberto. Vou ligar para o Ciro [Soares]", respondeu Ana Matos ao ex-banqueiro que, na sequência, deu OK ao nome do filho de Gonet para a viagem.

"Não dá pra bancar outros", concluiu.

O relatório da PF aponta ainda que o ministro do STF precisava aprovar com antecedência as listas de convidados. Em outra sequência de mensagens com Ana Matos, o ex-dono do Banco Master pede que ela espere para enviar os convites: "Deixa eu aprovar com o Alexandre".

Quebra de sigilo

As mensagens entre Vorcaro e Moraes vieram a público nesta terça-feira (1º), após o ministro André Mendonça retirar o sigilo da ação que trata do conteúdo das conversas.

A divulgação ocorre em meio a novas revelações sobre a relação entre Vorcaro e integrantes do Judiciário.

A decisão ocorreu pouco depois de o Estadão revelar conversas nas quais o banqueiro pedia ao magistrado que atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações sobre o banco.

Diante das informações, Mendonça pediu à PGR esclarecimentos complementares sobre a mensagem. Segundo apuração da CNN, o ministro também estaria mapeando os votos que poderia obter dentro da Corte para uma eventual apuração.

CNN procurou a assessoria do STF sobre as menções ao ministro Alexandre de Moraes no relatório e aguarda resposta.

PGR também foi procurada pela CNN para se manifestar a respeito das menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O espaço segue aberto.