Vorcaro sobre filho de Gonet ir a Londres: "Óbvio, né"?
Mensagens obtidas pela PF mostram ex-banqueiro acertando de custear viagem; ministro André Mendonça retirou o sigilo da investigações nesta terça (1º)
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tratou da ida do filho do procurador-geral da República, Pedro Gonet, para um evento em Londres com a participação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) em 2025.
A informação conta em mensagens encontradas pela PF (Polícia Federal) e enviadas ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, que retirou o sigilo do caso nesta terça-feira (1º).
O conteúdo da investigação mostra que Moraes teria trocado mensagens e se encontrado com Vorcaro em diferentes ocasiões.
Em 29 de março de 2025, Ciro Soares, ex-advogado do Banco Master, mandou mensagem para o ex-banqueiro: "Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres". Vorcaro, então, respondeu positivamente com um "óbvio, né".
Logo depois, o advogado encaminha uma mensagem que teria sido enviada por Gonet afirmando que Vorcaro "é uma máquina".
O encontro em Londres teria sido planejado pelo ex-banqueiro, que chamou a ocasião de "evento super exclusivo" com a presença de Moraes. Segundo consta no relatório da PF, o fórum foi posteriormente cancelado.
No mês seguinte, em 11 de abril de 2025, o ex-banqueiro confirma com uma funcionária que Pedro Gonet e Ciro Soares teriam as despesas da viagem para Londres pagas por ele mesmo.
Em 19 de junho de 2025, Ciro Soares diz a Vorcaro que "PG confirmou a ida para Londres" e perguntou se o "filho do PG" poderia viajar com eles. O ex-banqueiro volta a responder com "óbvio".
O ministro André Mendonça indicou nesta terça que levará ao plenário da Corte os novos elementos apresentados pela PF sobre a suposta rede de monitoramento e influência atribuída ao ex-banqueiro.
Mendonça afirmou ainda que a deliberação deverá ocorrer de forma “pública e transparente, em sessão presencial”, em data a ser definida pelo presidente do STF, Edson Fachin.
A PGR foi procurada pela CNN para se manifestar a respeito das menções ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. O espaço segue aberto.


