Pivô das rachadinhas, Queiroz quer ser deputado federal e cita Roberto Jefferson

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro disse que “não quer saia justa para ninguém”; ex-tesoureira e amiga da família será candidata para a Assembleia Legislativa do Rio

Leandro Resendeda CNN

no Rio de Janeiro

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Apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) como operador financeiro do caso das “rachadinhas” do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ex-assessor Fabrício Queiroz admitiu à CNN que quer ser candidato a deputado federal nas eleições deste ano.

O policial militar reformado afirmou que já conversou com o PTB e disse que é um “grande admirador do Roberto Jefferson”, ex-deputado federal e presidente afastado da legenda preso há cinco meses.

“Não tenho nenhum impedimento para concorrer. Sou investigado como várias pessoas são, várias que inclusive estão ocupando cargos no momento”, afirmou Queiroz.

De acordo com apuração da CNN, o movimento de Queiroz não foi previamente combinado com a família Bolsonaro.

Além do PTB, Queiroz tem sido cogitado como puxador de votos de legendas menores do campo conservador. Ele foi denunciado por peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro junto com Flávio Bolsonaro e outras 15 pessoas em novembro de 2020.

De acordo com o MP, Queiroz operou um esquema milionário de desvio de parte dos salários dos assessores que trabalhavam no gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro quando ele era deputado estadual, no Rio.

Ele chegou a ser preso em julho de 2020 acusado de atrapalhar as investigações sobre o caso. Em setembro, a CNN mostrou que o MP também investiga o PM reformado por operar semelhante esquema no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro.

À CNN, Queiroz disse que está “fora de cogitação” concorrer à Câmara pelo PL, partido de Flávio e do presidente Jair Bolsonaro.

“Não quero ser usado para dar problema para ele, vou ser usado para darem porrada nele. O PL é do presidente”, declarou o ex-assessor, que disse estar sendo estimulado a disputar o cargo por ter pensamento “conservador”.

O caso das “rachadinhas” está praticamente enterrado na Justiça. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) paralisou a tramitação da denúncia em agosto do ano passado e, em novembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou boa parte das provas obtidas na investigação.

O MP tenta iniciar uma nova investigação. Queiroz e Flávio Bolsonaro negam as acusações dos investigadores.

Ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz é visto dentro de um carro do Tribunal
Ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz é visto dentro de um carro do Tribunal de Justiça do Rio / Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo

Outros planos para o Rio

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) veio ao Rio no final de dezembro e traçou o mapa de candidaturas que o partido terá no estado.

Para a Assembleia do Rio, o filho do presidente Jair Bolsonaro quer como candidata a ex-tesoureira do PSL nas eleições de 2018 Valdenice de Oliveira Meliga. Amiga da família há décadas, Val, como é conhecida, é uma aliada fiel do clã e atuou nos bastidores de várias campanhas desde a década de 1990.

A candidatura dela é uma resposta ao que pessoas próximas ao clã chamam de “traições” ocorridas nesta legislatura: a avaliação é de que muitos que surfaram no bolsonarismo nas eleições de 2018 não conseguirão se reeleger.

Val chegou a ser ouvida em uma apuração do Ministério Público Federal sobre a suspeita do vazamento para Flávio Bolsonaro de uma operação da Polícia Federal em 2018.

O presidente do PL no Rio, deputado federal Altinêu Cortês, confirmou à CNN que Val será uma das candidatas da legenda. O partido tem dois deputados estaduais no Rio e quer fazer entre 12 e 14 nas eleições de 2022.

A CNN procurou Flávio Bolsonaro e aguarda retorno.

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