Plano do RJ para a ADPF das Favelas tem falhas, diz Conselho Nacional do MP

Parecer enviado ao CNJ diz que proposta apresentada ao STF tem avanços formais, mas não garante o cumprimento prático das regras exigidas pela Corte

Fernanda Fonseca, da CNN Brasil, Brasília
Imagens mostram momentos da megaoperação que terminou com mais de 120 mortos no Rio de Janeiro em 2025  • Governo do Estado do Rio de Janeiro
Compartilhar matéria

O plano apresentado pelo governo do Rio de Janeiro para a reocupação de territórios em favelas não cumpre integralmente as exigências fixadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”.

A avaliação consta de um parecer técnico do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) enviado ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes.

Segundo o CNMP, apesar de o plano indicar avanços formais no atendimento à decisão do STF, ele não apresenta mecanismos concretos que assegurem, na prática, o cumprimento das regras impostas à política de segurança pública no estado.

O Plano Estratégico de Reocupação Territorial foi apresentado pelo Estado do Rio de Janeiro ao Supremo em 22 de dezembro de 2025. O documento de 232 páginas define diretrizes estratégicas e operacionais com foco na redução da violência, preservação de vidas e consolidação da presença do Estado.

Entre as principais falhas apontadas, o CNMP destaca a falta de indicadores para medir resultados concretos, como a redução da letalidade policial, e a ausência de uma ligação clara entre o cumprimento das regras do STF e a execução das operações policiais no estado.

O grupo de trabalho responsável pela análise também destacou a inexistência de mecanismos estruturados de interlocução com o Ministério Público, a Defensoria Pública e a sociedade civil para o acompanhamento da implementação do plano.

A avaliação foi enviada ao CNJ em resposta a um pedido do STF sobre o estágio de análise do plano estadual. Em ofício encaminhado ao Supremo, o presidente do CNJ, ministro Edson Fachin, informou que o acompanhamento técnico do cumprimento da ADPF 635 está a cargo do CNMP, já que o conselho não possui atribuições diretas nessa fase do processo.

A ADPF das Favelas estabelece uma série de condicionantes para a realização de operações policiais no Rio de Janeiro, com o objetivo de reduzir mortes em ações de segurança e proteger direitos fundamentais de moradores de comunidades.