Plataformas criticam projeto e dizem que taxas de entrega vão subir

Empresas de aplicativos veem retrocesso e avaliam que custo ficará maior do que contratação com carteira assinada

Daniel Rittner, Tainá Falcão e Gustavo Uribe, da CNN Brasil, Brasília
ENTREGADOR IFOOD SP
  • ESTADÃO CONTEÚDO
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As plataformas digitais classificam a atual proposta de regulamentação do trabalho por aplicativos como "trágica" e alertam que, prevalecendo a última versão do texto, os pedidos de comida por delivery podem ter um aumento de 25% no custo final.

Reservadamente, um executivo do setor ouvido pela CNN Brasil diz que as exigências impostas pelo projeto significam uma "celetização disfarçada" e tornam mais barata a contratação de um trabalhador com carteira assinada do que a manutenção dos colaboradores no formato atual.

A Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), que representa as plataformas, afirma que haveria retrocesso na atividade.

"Os mais afetados serão os mais pobres, que ficarão impossibilitados de pagar pelo serviço, e os próprios trabalhadores, que verão o desemprego crescer com a diminuição de um segmento que aumenta a taxa de ocupação no país em quase 1%, de acordo com o Banco Central", diz a entidade.

Dois problemas são destacados pelos executivos das empresas. Um é o piso mínimo de R$ 8,50 para as corridas.

Para as plataformas, além de suposta inconstitucionalidade no tabelamento de um preço privado, isso impede ganhos de escala e de eficiência com o modelo de entregas agrupadas — a junção de várias entregas, em localidades próximas, de modo que o usuário pague menos e o entregador ganhe mais no conjunto.

Outro ponto é o custo da contribuição previdenciária. A proposta atual impõe às empresas uma complementação compulsória caso o ganho mensal dos trabalhadores seja inferior ao salário mínimo. Na avaliação das empresas, isso ignora o fato de que muitos entregadores e motoristas de Uber atuam poucas horas por mês e têm outras atividades.

Além disso, as plataformas criticam o regime de "responsabilidade objetiva ampla e irrestrita", em que elas respondem por atos ilícitos sofridos pelo usuário, independentemente de culpa e mesmo em situações nas quais não possuem qualquer controle operacional ou jurídico.