Polícia Civil do RJ apura crimes de corrupção e extorsão em Japeri
Grupo político teria oferecido vantagens econômicas indevidas para formar maioria contra a prefeita do município

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a operação Preço do Poder nesta sexta-feira (21). A investigação apura crimes de corrupção ativa, passiva e extorsão dentro da Câmara Municipal do munícipio de Japeri.
Segundo a corporação, grupos políticos teriam oferecido vantagens econômicas indevidas e cargos comissionados para vereadores da cidade. O objetivo seria compor uma maioria parlamentar para afastar a prefeita Fernanda Ontiveros (PT). A investigação teve início após a prefeita apresentar uma notícia-crime sobre o assunto.
São cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a três alvos na cidade. Dois dos alvos são os vereadores Rogerinho da RR (PSD), presidente da Câmara Municipal de Japeri, e Mateus Ferraz (PT).
Um terceiro alvo foi identificado como Carlos Alexandre Nascimento da Silva, funcionário de comissão da Câmara, descrito como “intermediador operacional e financeiro das vantagens oferecidas aos parlamentares”.
Segundo a investigação, o presidente da Câmara seria o principal articulador do esquema, enquanto o vereador petista é investigado por participar das tratativas relacionadas à obtenção de vantagem patrimonial. A expectativa era de que Mateus Ferraz se posicionasse contra a sua correligionária.
Em uma das conversas interceptadas pela polícia, Ferraz relatou ter recebido uma oferta de R$ 400 mil pelo grupo político de Rogerinho por apoio nas votações. Nas mesmas mensagens, o vereador indica estar com dificuldades financeiras. O responsável pela oferta seria um dos indicados para o cargo comissionado.
"Neném me ligou, oferecendo 400k para ficar com o Rogerinho. Disse que resolve meu problema pra hora”, escreveu o vereador.
Em maio deste ano, Ferraz comunicou em um grupo de mensagens da base governista que não integraria mais o núcleo da prefeita Fernanda Ontiveros.
Uma semana depois, a Câmara aprovou uma proposta de Rogerinho para regulamentar a sucessão na chefia do Executivo municipal, prevendo eleição indireta pelo Poder Legislativo. Mateus votou a favor da medida.
Nesta operação, a Polícia Civil mira celulares, computadores e documentos que possam "esclarecer a dinâmica dos fatos, a participação individual dos investigados e a eventual existência de outros envolvidos".
*Sob supervisão de Lucas Schroeder


