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    Polícia do Paraná descarta motivação política em assassinato de militante petista

    Jorge José da Rocha Guaranho foi indiciado por homicídio qualificado por motivo torpe e por causar perigo comum

    Lucas SchroederIara MaggioniCarolina Ferrazda CNN

    A Polícia Civil do Paraná descartou, nesta sexta-feira (15), motivação política no assassinato do guarda municipal e militante petista Marcelo Arruda no último fim de semana.

    O agente penitenciário federal Jorge José da Rocha Guaranho, acusado pelo crime, foi indiciado por homicídio qualificado por motivo torpe e por causar perigo comum.

    De acordo com a delegada chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, Camila Cecconello, “Guaranho não foi lá [na festa de aniversário] para fazer ronda. Ele foi no intuito de provocar a vítima. Nesse primeiro momento fica muito claro que houve uma provocação por motivos políticos. Agora, quando ele volta para casa e resolve retornar à festa, não há provas que indiquem que ele voltou porque queria cometer um crime de ódio contra uma pessoa ou pessoas de outro partido político que não o dele”.

    Segundo Cecconello, Guaranho soube da festa através de uma testemunha. “Ele [Guaranho] tinha o hábito de diariamente checar as câmeras por ter um cargo ali no clube. Essa pessoa era um funcionário do local onde a festa do petista acontecia”.

    Agente penitenciário federal Jorge José da Rocha Guaranho, investigado pelo assassinato do guarda municipal e membro do Partido dos Trabalhadores (PT) Marcelo Aloizio de Arruda / Reprodução/Facebook

    A delegada afirmou ainda que não há indícios de que Guaranho e Arruda se conheciam.

    “Segundo depoimento das testemunhas, ambos haviam ingerido álcool, mas a vítima não estava em estado de embriaguez. Já com relação ao Guaranho, algumas testemunhas afirmam que ele estava bem alterado, apresentando sinais de embriaguez. Ainda não temos o laudo do hospital relatando o teor alcoólico recente”, completou.

    Investigação demonstrará motivação política, dizem advogados de Marcelo Arruda

    Os representantes da família de Marcelo Arruda teceram críticas à investigação e disseram que, “por certo, a necessária continuidade das investigações demonstrará a nossa convicção quanto as motivações políticas do assassinato”.

    Os advogados ainda afirmaram que não tiveram acesso oficial ao relatório da conclusão da investigação, tendo descoberto que a motivação política foi descartada através de notícias veiculadas na imprensa.

    “O relatório apresentado é recheado de contradições e imprecisões que demonstram a deficiente formação do mesmo”, afirma a nota.

    Eles ainda questionam a intenção do agente penitenciário federal Jorge José da Rocha Guaranho, acusado pelo crime.

    Velório do guarda municipal Marcelo Arruda, assassinado em Foz do Iguaçu / Christian Rizzi/FotoArena/Estadão Conteúdo

    “Como o autor do fato vai até a festa de Marcelo – evidenciado o conteúdo político do evento – senão para impedi-lo ou frustrá-lo? Faria o mesmo se fosse um aniversário sem conteúdo político decorativo?”, disseram os representantes da família de Arruda.

    Os advogados argumentam que “os fatos e imagens” já divulgados “evidenciam a prática de homicídio qualificado motivado por ódio em face de razões políticas”.

    “A desconsideração dos requerimentos dos familiares, a negativa de procedimentos operacionais com vistas a cumprir o exarado no Parecer do MP, bem como o atropelo injustificado (faltando ainda 4 dias para o derradeiro prazo de conclusão) tornam insuficientes e duvidosos os resultados apresentados, observando-se ainda, que sequer perícia sobre os bens apreendidos foi concluída”, pontua a nota.

    “Os familiares de Marcelo Arruda, ainda esperam que se faça Justiça, clara, limpa, transparente e saudável como a boa água!”, concluem os advogados.

    Justiça nega sigilo em investigação

    O caso

    Na noite de sábado (9), o guarda municipal Marcelo Arruda teve a festa de aniversário invadida pelo agente penitenciário federal Jorge José da Rocha Guaranho. Arruda era membro da diretiva do Partido dos Trabalhadores (PT) em Foz do Iguaçu (PR) e tinha a decoração da festa de comemoração dos seus 50 anos em homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT.

    Segundo relatos de quem estava presente, Guaranho foi até o local gritando o nome do presidente Jair Bolsonaro (PL). Foi pedido que ele deixasse o local e ele avisou que voltaria. Arruda foi então até seu carro e pegou sua arma. Cerca de 10 minutos depois, Guaranho voltou e atirou em Arruda, que conseguiu revidar e atirar nele também. O aniversariante morreu, enquanto Guaranho foi encaminhado ao hospital em estado grave.

    O secretário de segurança pública de Foz do Iguaçu, Marcos Jahnke, confirmou à CNN que o crime foi motivado por divergências políticas.

    Em nota, o PT afirma que Marcelo Arruda foi assassinado por um bolsonarista. Destacou ainda que Marcelo era guarda municipal e um grande militante do PT, tendo sido candidato a vice-prefeito em Foz do Iguaçu nas eleições de 2020.

    O PL informou que não vai se manifestar sobre o caso e que não tem a informação se Jorge José da Rocha Guaranho é filiado ao partido.

    “Na madrugada recebemos a informação de que havia tido um confronto armado entre o guarda municipal Marcelo Arruda e agente penal federal devido a divergências políticas. Marcelo estava comemorando 50 anos em uma festa na qual ele fez decoração alusiva à convicção política dele favorável ao ex-presidente Lula e em determinado momento chegou o agente penal federal de maneira isolada manifestando sua convicção política em favor do presidente Bolsonaro. Afrontou o aniversariante que pediu que ele saísse, que era uma festa particular. O agente saiu, mas voltou depois armado efetuando disparos que atingiu o guarda, mas mesmo ferido sacou a arma e atingiu também com gravidade o agente penal que está hospitalizado no hospital municipal.”

    Boletim de ocorrência do crime em Foz do Iguaçu
    Boletim de ocorrência do crime em Foz do Iguaçu / Reprodução

    “Todos relataram que estavam na festa de aniversário com tema político do PT e que em certo momento a pessoa, que era desconhecida de todos e não era convidada, chegou no local com arma de fogo em mãos e aos gritos dizia ‘aqui é Bolsonaro’”, diz o boletim de ocorrência ao qual a CNN teve acesso.