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    Eleições 2022

    Pré-candidatos falam sobre o risco de desabastecimento de comida 

    Relatório divulgado no Fórum Econômico Mundial, em Davos, alerta para a possibilidade de falta de alimentos no mundo, acentuada pela guerra na Ucrânia

    Gabriela Ghiraldelli, Salma Freuada CNN

    em São Paulo

    Economistas-chefes de 24 dos maiores bancos mundiais alertaram, na segunda-feira (23), durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que a guerra na Ucrânia eleva o risco de falta de alimentos no mundo. As informações constam de um relatório no qual o Brasil é citado como exemplo de um país que sofre os efeitos da guerra.

    O documento do Fórum Econômico cita um estudo do Banco Mundial que mostra como as cadeias internacionais integradas nas commodities podem intensificar os efeitos da guerra.

    A CNN perguntou aos pré-candidatos à Presidência da República o que eles pensam em fazer para evitar o risco de desabastecimento de alimentos no país.

    Confira abaixo as respostas:

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT):

    O Brasil tinha saído do mapa da fome da ONU, voltou no governo Bolsonaro. O governo precisa financiar e apoiar a produção de alimentos não só pelos grandes produtores, mas também pelos pequenos e médios, que produzem a maior parte dos alimentos que vão à mesa (feijão, mandioca, arroz, legumes). Ampliar a produção nacional de fertilizantes e reconstruir a CONAB e seu papel na garantia de aquisição e regulação de estoques de alimentos, política abandonada nos governos Temer e Bolsonaro.  E abrasileirar o preço dos combustíveis, que impactam muito o preço dos alimentos.

    Jair Bolsonaro (PL):

    O presidente não respondeu até o momento da publicação.

    Ciro Gomes (PDT):

    O pré-candidato não respondeu até o momento da publicação.

    André Janones (Avante):

    O pré-candidato não respondeu até o momento da publicação.

    Simone Tebet (MDB): 

    Existe um problema estrutural na oferta de alimentos provocado pela guerra na Ucrânia, mas o fato é que o Brasil não corre risco de desabastecimento. Na verdade, a crise mundial cria uma oportunidade única para o país. Isso porque, agora, temos a chance de nos posicionarmos como um parceiro e de longo prazo na oferta de alimentos para uma série de economias.

    Ocorre que essa teria de ser uma iniciativa estratégica, liderada pelo governo federal, uma ação de Estado, envolvendo órgãos que vão do Ministério da Economia ao Itamaraty. Isso é algo que, infelizmente, não me parece possível neste momento, dada a espessa miopia que caracteriza nossos governantes.

    De qualquer forma, no curto prazo, e como medida de expansão da oferta, temos de adotar uma política de crédito agrícola que ajude o produtor tanto a suportar os custos maiores gerados pela guerra como a aumentar sua produção. No médio prazo, precisamos ainda ampliar a infraestrutura necessária para o escoamento de nossos produtos.

    Importante frisar que só não podemos cair na tentação de adotar medidas restritivas e anacrônicas, como o controle de exportações ou o fechamento da economia, que é justamente onde o PT quer chegar. Essa seria uma maneira de jogarmos fora a pujança que conquistamos na produção de alimentos com muito trabalho e esforço, a partir de uma agricultura especialmente desenvolvida em termos tecnológicos.

    Felipe d’Avila (Novo):

    O Brasil pode enfrentar o risco de desabastecimento combatendo o desperdício de alimentos. 29,7% da nossa produção alimentícia se perde antes mesmo de chegar aos consumidores, no armazenamento e transporte. Comparando com a Europa (18,8%) e EUA (19,3%), a redução de 10% nesse desperdício, levando o Brasil para os níveis dos países desenvolvidos, teria um impacto de quase 43 milhões de toneladas de alimentos por ano, suficiente para amenizar os impactos do mercado externo e ainda responder ao problema do aumento da miséria no país. A redução desse desperdício se dá com adoção de novas tecnologias e do investimento em infraestrutura produtiva, como silos, estradas e ferrovias, setores que estão há décadas sem receber a atenção e os recursos que precisam.

    José Maria Eymael (DC):

    O pré-candidato não respondeu até o momento da publicação.

    Leonardo Pericles (UP):

    O pré-candidato não respondeu até o momento da publicação.

    Luciano Bivar (União Brasil):

    Antes de mais nada considero essencial deixar claro que não apoiarei nenhuma postura bélica de Vladimir Putin.

    O União Brasil foi o primeiro partido a emitir nota oficial criticando a invasão da Ucrânia. Defendemos o livre mercado e iremos ampliar o diálogo e as negociações com outros países produtores.

    Ao mesmo tempo, será necessário oferecer maior estímulo ao agronegócio brasileiro, com subsídios temporários enquanto prevalecem os efeitos da guerra. E com a implementação do IUF (Imposto Único Federal)  tal problema será minorado, pois os preços dos alimentos tendem a cair significativamente com a simplificação e a consequente redução da carga tributária.

    Pablo Marçal (Pros):

    O Brasil tem produção e área para alimentar 1,5 Bilhão de pessoas, o problema é que boa parte da nossa safra já está comprometida com contratos futuros negociados com outros países como a China, por exemplo. Tem uma máxima no campo que agricultura não se faz com produto, mas com conhecimento, porém, nosso setor agrícola é muito dependente de produtos como fósforo e potássio importados, principalmente da Rússia, para corrigir o solo e manter a alta produtividade. Investimos mais em produtos do que em tecnologia e isso nos tornou dependentes em demasia de macronutrientes. Ironicamente, o Brasil era autossuficiente na produção desses nutrientes até a privatização dessa indústria que se deu entre 92 e 94. Hoje somos o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, só que os outros três são grandes produtores. Consumimos quase 9% de toda produção mundial e, mesmo tendo abundância de gás no pré-sal, nada fizemos para recompor a indústria de nitrogenados. Não temos mapeamento geológico para identificação de reservas de potássio e fosforo fazendo com que, qualquer mudança nas políticas públicas atuais só vá surtir efeito a longo prazo.

    Sofia Manzano (PCB):

    O Brasil é o maior produtor de grãos do mundo e mesmo assim, muito antes do conflito entre Rússia e Ucrânia, já havia fome e redução do consumo de alimentos às famílias mais pobres.

    É evidente que a guerra gera um conjunto de efeitos na oferta e preços de alguns gêneros alimentícios, mas a possível escassez de alimentos está muito mais associada a questões e problemas internos, em especial ao modelo de produção agrícola brasileira que privilegia o agronegócio para a produção de commodities como a soja e milho por exemplo e reduz os investimentos para o desenvolvimento da agricultura familiar.  Isso leva também a outra questão correlata. A falta de uma reforma agrária que possa potencializar a produção de produtos de primeira necessidade reduzindo preços e aumentando o acesso da população.

    Um modelo de segurança alimentar popular deve ser pautado na conjugação da reforma agrária sobre propriedades ociosas, desapropriação de propriedades vindas de grilagem de terras públicas, congelamento de preços dos produtos de primeira necessidade e aumento de recursos para o desenvolvimento da agricultura familiar sobre o controle do Estado.

    Vera Lúcia (PSTU):

    O Brasil é quarto maior produtor de grãos do mundo, o maior exportador de carne bovina do planeta e ocupamos a terceira colocação no ranking da produção mundial de frutas. Ninguém deveria passar fome em nosso país, mas infelizmente mais de 20 milhões de brasileiros não têm o que comer.

    Isso acontece porque a maioria das empresas alimentícias pertence às grandes corporações capitalistas, que não estão preocupadas com a produção para o consumo de nossa população, mas sim lucrar com a exportação.

    Para combater a fome e impedir o risco de desabastecimento de alimentos à população brasileira, vamos inverter essa lógica produtiva. Vamos garantir a produção para o abastecimento interno e exportar o excedente.

    Vamos romper com a dominação das grandes corporações imperialistas, que serão nacionalizadas. Realizaremos reforma agrária para garantir terras a quem precisa plantar, acabando com o latifúndio, herança da colonização, que mantém a concentração das melhores terras nas mãos de poucos. Teremos um plano de créditos aos agricultores familiares, que hoje são responsáveis pela comida que colocamos em nosso prato, através dos nossos bancos públicos.

    Assim, montaremos uma cadeia de produção que vai gerar emprego, renda e comida para todos.

    Fotos – Os pré-candidatos à Presidência