Preso pelo ICE, Ramagem estava foragido desde o ano passado
Ex-deputado federal foi condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado

O ex-deputado federal e ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem, preso nesta segunda-feira (13) nos Estados Unidos, estava foragido desde o ano passado.
O ex-parlamentar foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduana dos Estados Unidos, conhecido como ICE (sigla em inglês para United States Immigration and Customs Enforcement).
No dia 11 de setembro do ano passado, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) condenou Ramagem a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado.
Além da prisão, Ramagem também foi condenado a 50 dias-multa no valor de um salário mínimo o dia. O STF também determinou, por maioria, a perda do mandato de deputado federal.
Para a PGR (Procuradoria-Geral da República), Ramagem atuava como um dos principais responsáveis por subsidiar Jair Bolsonaro (PL) com ataques ao sistema eleitoral. O ex-diretor da Abin registrava as orientações repassadas ao ex-presidente, o que permitiu identificar ações ligadas ao plano golpista.
Segundo a Procuradoria, os ataques intensificados de Bolsonaro ao sistema eleitoral a partir de 2021, sob orientação de Ramagem, representavam a primeira etapa de um plano de manutenção no poder “com desprezo às estruturas constitucionais”.
Pela decisão do STF, Ramagem integrou uma organização criminosa e utilizou a estrutura da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), da qual foi diretor, para vigiar adversários políticos e auxiliar ataques ao sistema eleitoral.
A Corte tinha determinado que ele não poderia deixar o país e deveria entregar o passaporte, o que não foi cumprido.
Trama golpista
Foram atribuídos a Alexandre Ramagem os crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e Golpe de Estado.
O julgamento terminou em setembro do ano passado, mas até meados de novembro, ainda cabia recurso e o caso não transitava em julgado.
Foi justamente neste período que o parlamentar deixou o país rumo aos Estados Unidos. De acordo com apuração da CNN Brasil na época, a PF havia identificado indícios de uma tentativa de fuga: ele teria saído do Rio de Janeiro rumo a um estado do Norte, seguido por via terrestre até um país vizinho e, de lá, embarcado para os Estados Unidos.
Pouco tempo depois das notícias envolvendo sua saída do Brasil, Ramagem afirmou que estava “seguro” e que tinha “anuência” do governo norte-americano para estar no país.
"Nas palavras até do governo americano para mim: 'Que bom que temos um amigo que está em segurança, a salvo, aqui nos Estados Unidos'. Então, a gente tem esse apoio dos norte-americanos de tudo o que está acontecendo no Brasil", disse o deputado em entrevista conduzida pelo blogueiro Allan dos Santos no canal Conversa Timeline, no YouTube.
A prisão preventiva de Ramagem foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, em 19 de novembro do ano passado, logo após a divulgação de que ele estava em Miami, nos EUA.
Alguns dias depois a PF (Polícia Federal) informou que pediria a inclusão do nome do ex-deputado na Difusão Vermelha da Interpol, o que o colocaria como foragido internacional em 196 países.


