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    Prevenção falhou e combate à corrupção criou vácuo que levou à polarização política, diz Moraes

    Ministro do STF afirma que é preciso "aprender" com os erros das instituições

    “Só se combate a criminalidade organizada se nós cortarmos o cordão umbilical entre crime organizado e o crime institucionalizado pela corrupção nos órgãos de Estado”, disse Moraes
    “Só se combate a criminalidade organizada se nós cortarmos o cordão umbilical entre crime organizado e o crime institucionalizado pela corrupção nos órgãos de Estado”, disse Moraes Arquivo - Antonio Augusto/Secom/TSE

    Lucas Mendesda CNN

    Brasília

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse, nesta quinta-feira (7), que os sistemas de prevenção à corrupção no país falharam e que o combate a esses casos “acabou criando um vácuo muito grande” que levou à polarização e ao ódio.

    Conforme o ministro, o vácuo possibilitou o surgimento de uma “extrema direita com sangue nos olhos e antidemocrática”, não só do Brasil, “mas no Brasil principalmente”.

    O magistrado também afirmou que é preciso “aprender” com os erros das instituições. “Temos que aprender com nossos erros institucionais e nos perguntar por que chegamos a esse ponto, ao ponto em que a corrupção, na verdade, perdeu a vergonha na cara naquele momento do mundo político”.

    A declaração foi feita em evento organizado pelo Ministério Público Federal (MPF) em Brasília sobre o Dia Internacional de Combate à Corrupção.

    Todos os sistemas preventivos falharam. O combate à corrupção acabou criando um vácuo muito grande. E esse vácuo gerou uma situação, uma polarização, um ódio, e o surgimento, não só no Brasil, mas no Brasil principalmente, de uma extrema direita com sangue nos olhos e antidemocrática também

    Alexandre de Moraes

    Moraes chamou a corrupção de “chaga que corrói” a democracia, “como vimos nesses últimos tempos com abalo sísmico no mundo político, que teve suas consequências”.

    “Talvez realmente não houvesse o que fazer depois que se descobriu a corrupção, mas sim antes, preventivamente”, afirmou.

    Criminalidade

    Moraes também disse que o Ministério Público pode investigar os casos relacionados ao crime organizado, tráfico de drogas e milícias da mesma forma que fez com a corrupção política.

    “É o momento de o Ministério Público inovar, avançar e inovar da mesma forma que vem fazendo nesses 20 anos em relação à corrupção, ao combate à corrupção política, mas inovar também em relação à corrupção que gera o crime organizado. Eu repito isso há muito tempo. Entendo que tanto o poder Judiciário quanto o Ministério Público ainda estão devendo muito a isso.”

    Para o ministro, o desafio dos ministérios públicos estaduais e federal é o combate ao crime organizado e que, para isso, é preciso enfrentar também a ação ilícita dentro do Estado.

    Só se combate a criminalidade organizada se nós cortarmos o cordão umbilical entre crime organizado e o crime institucionalizado pela corrupção nos órgãos de Estado

    Alexandre de Moraes

    “Vai continuar existindo crime, a luta do bem contra o mal. Não existe Batman se não existisse o Coringa. Não existe Ministério Público se não existir o crime. Mas, sempre deve haver um equilíbrio, e a corrupção permite à criminalidade organizadas desequilibrar isso”.

    O ministro deu como exemplo o acesso de armamentos em determinados locais.

    “Como é possível tantos fuzis no alto de um morro no Rio de Janeiro? Se não houve corrupção, é algo absolutamente impossível”, disse.

    Ele defendeu usar os mesmos mecanismos adotados no combate à corrupção “que se tornava sistêmica em empresas estatais” para enfrentar crimes como o tráfico de drogas, as milícias e o jogo do bicho.

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