Prisão preventiva de Bolsonaro é a ensinada em sala de aula, diz advogada

Professora de Direito Penal da FGV afirma que tentativa de retirar tornozeleira eletrônica justifica decisão judicial, mas defesa pode alegar instabilidade emocional

Da CNN Brasil
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A prisão preventiva de Jair Bolsonaro representa um caso clássico do direito penal brasileiro, conforme análise da professora de Direito Penal da FGV, Luísa Ferreira, no Agora CNN. A especialista destaca que, embora decisões anteriores do STF tenham gerado controvérsias, a atual determinação está devidamente fundamentada pelo risco de fuga.

A tentativa de retirar a tornozeleira eletrônica, registrada em vídeo e confessada pelo próprio Bolsonaro, é apontada como elemento central para justificar a medida. "É uma prisão de livro, é aquela que a gente ensina em sala de aula", explica Ferreira.

Responsabilidade por atos de terceiros

A especialista ressalta que, inicialmente, a decisão judicial poderia ser questionada por se basear em ações de terceiros, como manifestações de familiares. No entanto, a situação mudou significativamente após o episódio. "Não se pode prender alguém por ato de terceiros, mas quando vem esse vídeo, quando o próprio Jair Bolsonaro confessa que tentou à força tirar a tornozeleira, nesse caso, essa prisão vira plenamente justificada", argumenta.

Possibilidade de defesa

A defesa ainda pode tentar argumentar que Bolsonaro estava em um momento de instabilidade emocional quando tentou remover o equipamento de monitoramento. Contudo, segundo Ferreira, seria necessário apresentar provas contundentes de uma perturbação mental grave no momento do ato, indo além de mero nervosismo ou aflição.

"Neste momento, o ônus está com a defesa. Houve tentativa de fuga, ainda que possa ter sido mal feita", avalia a professora. Para contestar o risco de fuga, seria necessário demonstrar que não havia qualquer intuito de evadir-se. "Isso dificulta muito a situação jurídica do ex-presidente de prisão domiciliar humanitária".

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