Quanto Mauro Cid deve ganhar por mês indo para a reserva do Exército?
Advogado Jair Alves Pereira disse à CNN que Cid manterá patente de tenente-coronel na reserva

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), foi autorizado a ir para a reserva do Exército brasileiro. Ele foi condenado no ano passado a dois anos de prisão em regime semiaberto no caso da trama golpista.
O advogado Jair Alves Pereira, que representa Cid, disse à CNN que ele manterá a patente de tenente-coronel na reserva e, por isso, deve continuar recebendo o mesmo salário. No ano passado, os valores que o ex-ajudante de ordens recebeu variaram de R$ 18.419,44 a R$ 32.540,76 entre os meses de junho e novembro. Os dados constam no Portal da Transparência.
À CNN Brasil, o advogado Jair Alves Pereira disse que o processo deve ter início no sábado (31). A defesa de Cid havia protocolado um pedido para fosse transferido para a reserva do Exército em agosto do ano passado, antes da condenação pela trama golpista.
Com a mudança, Cid deixa de ser militar da ativa e precisa sair da Vila Militar, um conjunto de residências de propriedade das Forças Armadas onde militares da ativa e dependentes moram.
Cid não prestará mais serviço diário ao Exército Brasileiro, não exercerá função, nem comandará tropa ou ocupará cargo administrativo. "Será um civil, mais precisamente. Um militar da reserva que poderá ser chamado em caso de guerra", pontuou o advogado de Cid à reportagem.
Como não completou 35 anos de serviços ao Exército, a defesa de Cid solicitou em agosto passado enquadramento do militar na “quota compulsória”, o que faz com que ele ainda receba uma remuneração proporcional ao tempo de carreira.
Condenação
Mauro Cid foi condenado pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) a dois anos de reclusão em regime aberto pelos cinco crimes imputados pela acusação. Os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin votaram pela condenação de Cid por todos os delitos.
O ministro relator, Alexandre de Moraes, votou para acolher os benefícios acordados na delação premiada com Mauro Cid e foi acompanhado por Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.
Cid teve penas mais brandas do que outros réus em razão do acordo. No mesmo processo, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi condenado a 27 anos e três meses de prisão. A delação do tenente-coronel também previa restituição de bens e valores ao militar, além de ações contínuas da PF (Polícia Federal) para garantir a segurança do colaborador.
O acordo de Cid pedia, ao invés da pena de até dois anos, o perdão judicial. No entanto, Moraes afirmou que, bem como não “cabe anistia aos crimes contra a democracia”, também não deve caber perdão completo.
A posição dos ministros rejeitou a proposta apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) nas alegações finais do processo. A acusação defendeu que Cid tivesse a pena reduzida a um terço da condenação dos crimes imputados.
*Com informações de Gabriela Boechat, da CNN Brasil, em Brasília


