Exército recebe com "alívio" pedido de Cid para deixar a Força
Cúpula já havia recomendado que ex-ajudante de ordens pedisse passagem para a reserva e se dedicasse à defesa na trama golpista

O pedido do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), para deixar o Exército foi recebido com alívio pela cúpula da Força. Segundo apurou a CNN, a solicitação do militar, um dos personagens centrais da trama golpista, tende a ser atendida. A decisão, porém, está prevista apenas para dezembro.
O requerimento foi protocolado em 4 de agosto, mas só veio a público durante a fala da defesa de Cid no primeiro dia do julgamento do plano de golpe, na última terça-feira (2). Colaborador premiado, ele espera manter os benefícios do acordo: o perdão judicial ou a pena mínima de dois anos.
Integrantes da Força, sob reserva, afirmaram que o ex-ajudante de ordens deveria ter pedido para ir para a reserva há mais tempo. A avaliação é de que, apesar das complicações na Justiça, Cid ainda alimentava a esperança de seguir na carreira.
Aliados do tenente-coronel relataram à CNN que, durante o processo, generais recomendaram que ele se desligasse da ativa para se concentrar na própria defesa.
No pedido, Cid requereu a inclusão na chamada quota compulsória, mecanismo que permite que militares passem para a reserva mesmo sem ter completado o tempo mínimo de serviço, com remuneração proporcional ao período trabalhado.
Antes da decisão final, o requerimento será analisado por uma comissão que avalia se há requisitos para a concessão da passagem antecipada à reserva. O aval definitivo, no entanto, cabe ao comandante do Exército.
Ao comentar a solicitação, o advogado Jair Alves Pereira disse que Cid “não tem condições psicológicas” de seguir na carreira.
A expectativa de aliados é que o pedido de desligamento tenha impacto positivo junto aos ministros da Primeira Turma do STF, reforçando os benefícios da colaboração: o perdão judicial ou a pena mínima de dois anos.
A estratégia da defesa é mostrar o desgaste causado pelo processo do plano de golpe e pela delação na vida pessoal e profissional de Mauro Cid, além de sinalizar à Corte que, mesmo absolvido, o tenente-coronel não pretende retornar ao Exército, o que poderia ser uma preocupação para algum dos ministros.



