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    Quem é Diego Ventura, suposto líder de ataques golpistas no DF preso pela PF

    Considerado um dos líderes dos atos antidemocráticos em Brasília, o comerciante já havia sido detido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) na véspera do Natal do ano passado

    O comerciante Diego Ventura foi preso pela Polícia Federal por suspeita de ligação com o 8/1
    O comerciante Diego Ventura foi preso pela Polícia Federal por suspeita de ligação com o 8/1 Arquivo - Reprodução

    Rayanderson Guerra, do Estadão Conteúdo

    A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta quinta-feira, 20, em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, o comerciante Diego Ventura, apontado como um dos chefes da invasão ao Supremo Tribunal Federal (STF), nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, em Brasília.

    Ventura foi preso em mais uma etapa da Operação Lesa Pátria, que apura os ataques aos prédios dos Três Poderes. Ele estava a caminho da 3ª Assembleia Nacional da Direita Brasileira.

    Considerado um dos líderes dos atos antidemocráticos em Brasília, o comerciante já havia sido detido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) na véspera do Natal do ano passado. Ele e mais nove pessoas foram presos a caminho do Supremo, com estilingues, bolinhas de gude, facas, além de rádios transmissores. Todos foram detidos e conduzidos para a 5ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte, e, posteriormente, liberados.

    À época, Ventura e os outros detidos relataram aos militares que participariam de uma manifestação em frente ao Quartel-General do Exército contra a prisão do cacique José Acácio Serere Xavante, detido por atos antidemocráticos.

    O indígena foi preso sob suspeita dos crimes de ameaça, perseguição e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O mandado de prisão sustentava, na ocasião, que Serere Xavante usa sua posição como líder indígena para arregimentar pessoas a “cometer crimes mediante a ameaça de agressão e perseguição do presidente eleito [Lula] e dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso”.

    Ventura aparece em imagens, no dia 8 de janeiro, chutando grades de contenção do STF e, posteriormente, já dentro do prédio do Supremo, comemorando o que chamou de “missão cumprida”. O comerciante aparece ao lado de Ana Priscilla Azevedo, uma das organizadoras do acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, e de um grupo de extremistas no Telegram.

    O Estadão identificou a participação de 88 pessoas nas invasões e depredações dos espaços públicos. A convocação para os atos já tinha um propósito golpista estabelecido. “Nós vamos colapsar o sistema, nós vamos sitiar Brasília, nós vamos tomar o poder de assalto, o poder que nos pertence”, disse Ana Priscilla, numa live realizada em 5 de janeiro, no acampamento na capital federal.

    Pouco antes de ser preso na véspera do Natal, Ventura transmitiu a caminhada do grupo nas imediações do STF.

    “Hoje, dia 25 de dezembro, estamos aqui direto da Praça dos Três Poderes. Alguns patriotas ao longo do caminho. Estamos ao lado do prédio do STF, onde os índios invadiram o STF nas últimas horas. A área está toda cercada. Vamos tentar chegar o mais próximo possível. O policiamento é intenso. Momento tenso”, diz Ventura na gravação.

    Ventura se apresentava como um dos líderes do grupo Abrapa 01, que ficou acampado em frente ao QG do Exército. Em vídeos e postagens nas redes sociais, o comerciante fez convocações para que mais apoiadores aderissem ao acampamento e recolheu doações para a manutenção da estrutura montada em Brasília.

    “Você que está levantando essa bandeira do nosso povo de bem, de direita, patriota, que ama e zela por Deus, Pátria, família, liberdade e democracia, tem todo o direito de decidir ficar em casa, não fazer nada e desacreditar. Somente os covardes desistem de uma guerra, de uma luta, de uma batalha e de enfrentar aquilo que, de alguma forma, te oprime, te para, te imobiliza, te engessa e te tira os seus direitos. O povo mostrou que não é só capaz de levantar bandeirinha”, afirmou. “Lutar por aquilo que a gente acredita, que entendemos que é nosso direito, é a coisa mais honrada que nós patriotas podemos fazer.”

    Nas redes sociais, o comerciante fez campanha para o ex-ministro Eduardo Pazuello (Saúde) para deputado federal e para Ailton Barros, preso pela Polícia Federal acusado de intermediar a inserção de dados no cartão de vacinação da Covid do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Capitão reformado, Ailton já foi investigado por suposto acordo com o tráfico e foi expulso do Exército após punições disciplinares. “Esse é o candidato do presidente, 38 anos de amizade, será o olho dele no Rio”, escreveu Ventura em um post durante a campanha eleitoral do ano passado.

    A CNN buscou contato com a defesa de Ventura, mas não teve retorno até o momento.

    Beneficiários do auxílio emergencial, Auxílio Brasil e Bolsa Família

    O comerciante foi um dos beneficiários do auxílio emergencial durante a pandemia de covid-19. Em 2020, ele recebeu nove parcelas do auxílio, o que corresponde a R$ 3.632 de dinheiro público. Ele recebeu cinco repasses de R$ 600 e outros quatro de R$ 158.

    A mulher de Ventura também foi beneficiada com o auxílio emergencial, Auxílio Brasil e Bolsa Família. Ao todo, a família do comerciante recebeu R$ 35,1 mil em repasses do governo federal.