Quem é o general Braga Netto, ministro-chefe da Casa Civil

Militar vem ganhando cada vez mais espaço no governo de Jair Bolsonaro

Fardado, Braga Netto é o nono militar do primeiro escalão de Jair Bolsonaro e primeiro a assumir a pasta desde a ditatura.
Fardado, Braga Netto é o nono militar do primeiro escalão de Jair Bolsonaro e primeiro a assumir a pasta desde a ditatura. Foto: Alan Santos/Palácio do Planalto

Stephanie Bevilaqua

Da CNN, em São Paulo

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Quem é?

O que já fez?

À frente da Casa Civil, o general Braga Netto foi o protagonista da apresentação do plano Pró-Brasil, que pretende reestruturar a economia brasileira frente à pandemia do novo coronavírus. O militar militar vem ganhando destaque por posicionamentos e pronunciamentos diante do cargo. E não é à toa. 
 
A pasta, que já foi comandanda pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, tem como responsabilidade a coordenação de programas e ações governamentais, além de participar da articulação política do governo, aprovando cargos e garantindo maioria nas votações do Congresso. 
  

 
Em fevereiro deste ano, o mineiro Walter Souza Braga Netto, nascido em Belo Horizonte, assumiu o posto lugar do atual ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM), como ministro-chefe da Casa Civil. Ele é o primeiro militar a ocupar o cargo desde a ditadura e o nono integrante das Forças Armadas no primeiro escalão do governo Bolsonaro.
 

Aos 62 anos, o general está no Exército desde 1974. Trabalhou como observador das Nações Unidas no Timor Leste e adido militar (representante diplomático) na Polônia e nos Estados Unidos.

No governo de Michel Temer (MDB), chefiou a internvenção militar na segurança pública do Rio de Janeiro. Durante seminário sobre o tema na Câmara dos Deputados, em novembro de 2018, avaliou seu legado como “intangível”.

Pró-Brasil

 
Ontem (22), Braga Netto anunciou o Pró-Brasil: programa de retomada da economia, antes apelidado de “Plano Marshall” em referência ao plano americano de reestruturação europeia após a Segunda Guerra Mundial. De acordo com a apresentação do governo federal, o propósito da medida é “reduzir os impactos do coronavírus nas áreas social e econômica com foco no período pós-pandemia”. O plano prevê aplicação de R$ 30 bilhões destinadao à conclusão de 70 obras públicas já iniciadas, mais a criação de R$ 500 mil a um milhão de empregos, nos próximos três anos.
 
Pouco detalhado, o Pró-Brasil divide-se em cinco temas: Infraestrutura (transporte e logística; energia e mineração; telecomunicações e desenvolvimento regional e cidades); Desenvolvimento Produtivo (indústria; agronegócio; serviços e turismo); Capital Humano (cidadania; capacitação; saúde e defesa, inteligência, segurança pública e controle da corrupção); Inovação e Tecnologia (cadeias digitais; indústria criativa e ciência) e Viabilizadoras (finanças e tributação; legislação e controle; meio ambiente; institucional e internacional e valores e tradições).

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“Observamos que já estavam surgindo alguns programas de reestruturação em diversos ministérios. A Casa Civil, como o órgão coordenador dos ministérios e dá sinergia aos esforços, propôs o programa Pró-Brasil e teve aceitação unânime”, disse Braga Netto.

Sob o slogan “Pátria Amada Brasil”, crianças brancas no material do Pró-Brasil.
Sob o slogan “Pátria Amada Brasil”, campanha chama atenção por apresentar apenas crianças brancas em material de divulgação usado em 22 de abril de 2020.
Foto: Divulgação

Qual o papel no governo Bolsonaro?

Braga X Mandetta

Braga X Guedes

Sob o slogan do governo federal “Pátria Amada Brasil”, o plano também despertou críticas ao apresentar apenas crianças brancas em seu material de apresentação. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 57% da população brasileira se declara negra no Brasil. Os negros – que o IBGE conceitua como a soma de pretos e pardos – ultrapassa, portanto, o número de 119 milhões de brasileiros. 
 

 
É ele quem o presidente tem consultado nos assuntos mais sensíveis, destacando-se como articulador. Braga Netto assumiu protagonismo no governo de Jair Bolsonaro ao participar do esvaziamento do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que acabou demitido do Ministério da Saúde, e do isolamento do ministro da Economia, Paulo Guedes. 
 
O general conta com o apoio dos ministros do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.
 

 
Enquanto Mandetta ainda estava à frente da pasta da Saúde, o militar já falava em nome do governo, controlando assim a divulgação de ações internas e indicando que o ex-ministro não respondesse sobre seu futuro quando questionado se ficaria no cargo.
 
A avaliação feita por ele e seus assessores é de que entrevistas coletivas feitas pelo ministério da Saúde estavam fornecendo munição para a oposição atacar governo — posição que coincide com o direcionamento de Jair Bolsonaro, que critica constantemente o trabalho da imprensa na divulgação de notícias sobre a pandemia. 
 

 
Apesar de ter participado de reuniões ministeriais sobre a implantação do projeto, Paulo Guedes não esteve presente na apresentação do plano econômico Pró-Brasil, assim como nenhum outro representante do seu ministério. 
 
Como afirmam fontes próximas às discussões, Guedes não é a pessoa certa para tocar essa iniciativa, porque tem uma visão liberal demais e, neste momento, o país precisa de ações mais desenvolvimentistas com protagonismo do Estado. Segundo apurou a CNN, a área técnica do ministério da Economia defende que o país não tem recursos para bancar investimento público depois de passado o pico da pandemia no Brasil.

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“O dinheiro para investimentos terá de vir da iniciativa privada. O recurso público precisa dar prioridade à segurança do emprego, dos investimentos e da estabilidade dos negócios”, disse à CNN um ex-assessor técnico da pasta comandada por Guedes.

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