Quem é Sara Winter, ex-ativista do Femen e apoiadora de Bolsonaro presa pela PF

Atualmente é líder do grupo 300 do Brasil, pró-governo, e tem feito duras críticas às demais instituições, principalmente ao Supremo

Natália Oliveira e Stéfano Salles,

da CNN, no Rio de Janeiro

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A ativista bolsonarista Sara Winter, presa nesta segunda-feira (15) em Brasília, nasceu em São Carlos, no interior de São Paulo, mas passou grande parte de sua vida no Rio de Janeiro. Seu nome real é Sara Fernanda Geromini. Ela ganhou notoriedade ao participar do grupo ucraniano feminista Femen, em 2013 e 2014, quando chegou a participar de atos contra a realização da Copa do Mundo daquele ano.

De acordo com amigos, Sara veio de uma família humilde, foi vítima de violência doméstica e sexual, e chegou a realizar um aborto. Depois de se tornar católica, Winter abandonou o feminismo e começou a lutar contra o movimento e contra o aborto, no que chama de “militância pró-vida”.

O irmão dela, Diego Giromini contesta os relatos de abuso. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ele disse que Sara não tem contato com a família e busca apenas a fama com seu ativismo.

Em março de 2016, Sara Winter iniciou sua trajetória partidária, se filiando ao PSC (Partido Social Cristão) no Rio de Janeiro. Em 2018, chegou a flertar com o PSL para concorrer ao cargo de deputada federal, mas acabou indo para o DEM. Na disputa, contou com o apoio de setores da Igreja Católica e grupos de militância contra o aborto. Sara recebeu 17.246 votos e não conseguiu se eleger.

Em junho de 2019, a ativista foi nomeada como coordenadora-geral de Atenção Integral à Gestante e à Maternidade do Departamento de Promoção da Dignidade da Mulher, da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres. A aproximação com a ministra Damares Alves, da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, responsável pelo cargo ao qual Sara foi nomeada, se deu justamente pela atuação na luta contra o aborto. Em outubro do mesmo ano, ela foi exonerada.

No dia 2, o Democratas decidiu expulsar Sara Winter do partido. O presidente nacional do partido, ACM Neto, disse em uma rede social que Sara não tinha vida partidária atuante no partido e afirmou: “Jamais vamos aceitar na legenda quem prega a violência e prática atos antidemocráticos”.

Atualmente, Winter é líder do grupo 300 do Brasil, que apoia o presidente Jair Bolsonaro e tem feito duras críticas às demais instituições.

O grupo ficou por semanas na Esplanada dos Ministérios em Brasília, mas o acampamento foi desmontado no sábado por uma operação da Polícia Militar do Distrito Federal. No dia seguinte, o grupo realizou disparos de fogos de artifício contra a sede do Supremo Tribunal Federal (STF), simulando um bombardeio.

Sara Winter e manifestantes
A ativista Sara Winter (de máscara) ao lado de manifestantes que apoiam o presidente Jair Bolsonaro
Foto: Instagram/Sara Winter

No dia 27 de maio, Sara Winter já tinha sido um dos alvos da Operação Fake News, da Polícia Federal (PF). Contra ela havia um mandado de busca e apreensão. A investigação apurava um esquema milionário envolvendo empresários e blogueiros para disseminação de notícias falsas e criação e manutenção de perfis falsos nas redes sociais.

Sara teve seu celular e computador apreendidos. A ativista na ocasião gravou um vídeo com ameaças e xingamentos ao ministro do STF Alexandre de Moraes, responsável por autorizar a operação. 

No Rio de Janeiro, Sara também é investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) por improbidade administrativa para apurar se houve irregularidade na utilização de R$ 25 mil recebidos do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas em 2018, o chamado fundo eleitoral. Segundo a Procuradoria da República do Rio de Janeiro, o processo ainda está em fase de produção de provas e não tem qualquer ligação com a prisão realizada nesta segunda.

Nas redes sociais, ela afirma ser perseguida política. Após a prisão, seu pefil informou que ela é a “terceira presa política da ditadura do STF”.

O advogado de Sara, Bertoni Barbosa de Oliveira, afirma que a prisão “foi exclusivamente pelos fogos de artifícios que foram lançados contra o STF”. “No dia e horário dos acontecimentos, Sara Winter estava em casa, nós temos uma montanha de álibis para provar isso. Temos imagens, testemunhas, vizinhança. Essa prisão está sendo injusta. A PF está apenas cumprindo ordens do STF e nós, como advogados, estamos tentando obter acesso ao inquérito para defender nossa cliente. Como sabemos o motivo para qual ela está presa, iremos conseguir derrubar rapidamente esta prisão temporária”, disse.

 

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