Quem tem que negociar é o Lula, não eu, diz Bolsonaro à CNN sobre taxação
Ex-presidente destacou que o Brasil se afastou dos “valores americanos” e “se aproximou de ditaduras e de terroristas”
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, em entrevista ao CNN Arena nesta terça-feira (15), que cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e não a ele, negociar uma solução com os Estados Unidos sobre a taxação imposta por Donald Trump aos produtos brasileiros.
“Quem tem que buscar negociação é o presidente Lula, não sou eu. Em 2019, o Trump queria taxar o aço, eu falei com ele e ele não taxou. Se eu fosse presidente, a negociação estaria parecida com a da Argentina: lá, o Milei conseguiu taxa zero para 80% do exportado e, para os 20% restantes, algo em torno de 10%”, afirmou Bolsonaro à CNN.
“O que podemos esperar de um presidente que manda o vice à posse de uma autoridade do Irã que estava com cinco terroristas? Que se alia ao pior das ditaduras no mundo? O Brics agora virou uma reuniãozinha de pequenos ditadores. Tem criminosos de guerra do mundo todo”, destacou.
Segundo Bolsonaro, o Brasil se afastou dos “valores americanos” e “se aproximou de ditaduras e de terroristas”.
“Eu estou taxando o Brasil e vibrando com taxações? Não. Agora, o Brasil tem como chegar a uma solução disso. O Trump está mostrando o que ele quer", afirmou no CNN Arena.
Bolsonaro ironizou sua atual situação jurídica: “Me restitua o passaporte que eu converso. Mas o presidente é o Lula, não sou eu.”
Trump e Brasil
Em outro momento, o ex-presidente citou a carta divulgada por Donald Trump anunciando uma taxação de 50% ao Brasil: “A própria carta do presidente Trump fala de liberdade de expressão, comércio brasileiro, cita meu nome como vítima de uma ‘caça às bruxas’.”
Segundo Bolsonaro, o atual governo tem responsabilidade na taxação anunciada pelo Trump sobre produtos brasileiros. “Quem tem que buscar negociação é o presidente Lula, não sou eu”, afirmou. “Em 2019, o Trump queria taxar o aço, eu falei com ele e ele não taxou.”
O ex-presidente chegou a comparar a situação do Brasil à da Argentina sob a gestão de Javier Milei.
“Se eu fosse presidente, a negociação estaria parecida com a da Argentina: lá, o Milei conseguiu taxa zero para 80% do exportado, e algo em torno de 10% para os 20% restantes", destacou à CNN.
Bolsonaro disse torcer por um acordo, mas ressaltou que Trump tem sido claro quanto aos critérios.
“Quem está colocando na mesa as condições é o presidente Trump. Ele fala que sou um cara honesto, um negociador duro, que tem simpatia por mim", enfatizou.
*Publicado por João Scavacin, sob supervisão de Douglas Porto


