Reconvocação de Pazuello será aprovada nesta quarta, diz presidente da CPI

Nesta quarta-feira (26) senadores aprovarão requerimentos que determinarão os próximos ouvidos na CPI da Pandemia

Daniel Fernandes, da CNN, em São Paulo

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O presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou nesta terça-feira (25) que a reconvocação do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello à comissão será aprovada nesta quarta-feira (26).

Segundo Aziz, além de Pazuello também será reconvocado a falar à CPI da Pandemia o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, membros do segundo escalão da pasta, governadores, prefeitos, ex-prefeitos e especialistas.

Na última segunda-feira (24), Aziz afirmou, em entrevista à CNN, que Pazuello disse muitas mentiras em sua primeira oitiva e, por isso, deveria ser convocado para ser ouvido novamente. “Não tenha dúvida que ele será reconvocado porque mentiu e mentiu muito. E aqueles que mentem na CPI, com certeza absoluta, serão indiciados”, disse o senador na entrevista.

“Se o ministro [Pazuello] vier para cá sem nenhum habeas corpus que o protege, não tenha dúvida que não será da mesma forma que foi da última vez”, disse Aziz nesta terça-feira. “Não seremos desmoralizados.”

Divergências

Conforme mostrou o analista da CNN Leandro Resende, o depoimento da secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro à CPI da Pandemia nesta terça-feira contraria o que disse o general Eduardo Pazuello na semana passada sobre a crise provocada pela Covid-19 no Amazonas.

Aos senadores, Mayra afirmou que o ex-ministro da Saúde soube do desabastecimento de oxigênio em Manaus no dia 8 de janeiro. À comissão, Pazuello afirmou que foi informado apenas na noite do dia 10 de janeiro.

Questionado hoje sobre uma possível acareação entre Mayra e Pazuello, Aziz não descartou a ideia, mas afirmou que, inicialmente, a comissão focará em ouvir novamente o ex-ministro da Saúde.

“Nós temos que saber qual é a verdade”, afirmou Aziz ao apontar os pontos divergentes nos depoimentos de Pazuello e Mayra sobre a data que o Ministério da Saúde soube da situação na capital amazonense.

Outro ponto a ser apurado em um novo depoimento de Pazuello, segundo Aziz, é o desenvolvimento do aplicativo TrateCov.

Na última quarta-feira (19), Pazuello atribuiu a criação do aplicativo à Mayra Pinheiro. De acordo com o militar, o aplicativo nunca foi lançado de forma oficial, apenas o protótipo. Ele ressaltou ainda que a divulgação ocorreu de forma indevida por “um cidadão que a copiou”. 

Em seu depoimento hoje, Mayra também afirmou que o TrateCov era um protótipo que foi abandonado após ter dados extraídos, no seu entendimento, de forma indevida por um jornalista, mas disse que o aplicativo não foi hackeado, como disse Pazuello em seu depoimento à CPI e como ela própria havia dito, anteriormente, à Polícia Federal (PF).

Convocação de prefeitos e governadores à CPI

Assim como já havia informado em seu perfil no Twitter na última segunda-feira (24), Aziz afirmou, nesta terça-feira, que a CPI votará também a convocação de governadores e prefeitos. O senador afirmou que ao menos nove governadores e 12 prefeitos e ex-prefeitos podem ser convocados à comissão.

Segundo o senador, ações da Polícia Federal serão usadas como critério para selecionar os governadores, prefeitos e ex-prefeitos a serem convocados à CPI. Entre os nomes citados por Aziz nesta terça-feira estão o governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro (PSC), e o ex-governador fluminense Wilson Witzel.

Presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM)
Presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM)
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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