Sabino diz compreender demanda do União por ministério

Ex-ministro do Turismo teve sua saída do governo anunciada nesta quarta (17); União Brasil indicou novo nome associado ao partido

Leonardo Ribbeiro e Anna Júlia Lopes, da CNN Brasil, Brasília
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O agora ex-ministro do Turismo, Celso Sabino, disse nesta quarta-feira (17) "compreender" a demanda do União Brasil para indicar um novo ministro para o seu cargo no Palácio do Planalto. Sabino teve a sua saída do governo anunciada nesta tarde e deve ser substituído por um nome indicado pelo partido.

"Houve essa demanda para indicar um ministro para o Ministério do Turismo, e eu particularmente compreendo perfeitamente", disse Sabino a jornalistas. Antes filiado ao União Brasil, o ex-ministro foi expulso do partido no começo deste mês depois que não seguiu a ordem da sigla para que deixasse o seu posto no Executivo.

Sabino disse ter tomado decisão que parecia ser “mais responsável”, em referência a continuar no governo durante a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas). O ministro era considerado peça central na organização do evento.

Ele disse ainda que, por conta da COP, não poderia ter abandonado o cargo em 24 horas, como foi ordenado pelo União Brasil.

Com a saída de Sabino, o partido indicou um novo nome para o cargo: Gustavo Feliciano, filho do deputado federal Damião Feliciano (União-PB).

Questionado sobre a troca e sobre o fato de primeiro o partido ter ordenado a saída de Sabino e depois por pedir novamente um novo associado à sigla para o cargo, o ex-ministro afirmou que o União deve “ter suas razões”.

Na avaliação de Sabino, a indicação de Feliciano demonstra que o partido “já voltou” para a base do governo. Questionado se o movimento mostrava incoerência por parte da legenda, ele não respondeu.

Candidatura ao Senado

O ex-ministro afirmou que, agora, se dedicará ao seu mandato como deputado federal e à pré-candidatura ao Senado nas eleições de 2026.

De acordo com ele, tanto a sua saída quanto a sua candidatura já foram conversadas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos últimos dias. O esperado é que o petista apoie a disputa de Sabino por uma cadeira na Casa Alta.

Questionado sobre qual a partido ele se filiará, Sabino afirmou estar conversando com várias legendas, mas já descartou uma eventual ida para o PL (Partido Liberal), sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Saída do governo e do União Brasil

Sabino teve sua saída do Ministério do Turismo anunciada nesta quarta (17). O anúncio se dá dias depois de o União Brasil decidir expulsá-lo do partido.

O atrito com a sigla vinha desde setembro. O então ministro disse que não deixaria o governo de imediato, mesmo com a ordem do União para que o fizesse.

A ordem em questão veio diretamente do presidente da sigla, Antonio Rueda, que deu um ultimato para que os filiados ao partido deixassem o governo depois que vazou a informação de que seu nome ter sido incluído em uma investigação da PF (Polícia Federal) que apura uma infiltração da organização criminosa PCC (Primeiro Comando Capital). À época, Rueda avaliou que o governo federal havia sido responsável por vazar a informação.

No entanto, Sabino continuou no cargo, o que levou à sua expulsão da sigla.

Porém, mesmo com o afastamento do União da base aliada do governo, o partido ainda reivindicou um espaço para si no Palácio do Planalto, fazendo a demanda para que Lula substituísse Sabino por um novo nome indicado pela sigla.