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    Saiba quem é a assessora demitida por Anielle Franco após criticar torcida do São Paulo

    Marcelle Decothé ocupava o cargo de chefe da assessoria especial e ganhava R$ 17.100 por mês antes de ser exonerada

    Marcelle Decothé foi demitida do cargo de assessora especial do Ministério de Igualdade Racial
    Marcelle Decothé foi demitida do cargo de assessora especial do Ministério de Igualdade Racial Reprodução

    Fernanda Pinottida CNN

    São Paulo

    A assessora Marcelle Decothé da Silva foi exonerada do Ministério da Igualdade Racial, na terça-feira (26), após uma postagem em suas redes sociais na qual fez comentários negativos sobre a torcida do São Paulo.

    No Estádio do Morumbi durante a final da Copa do Brasil – na qual o São Paulo venceu o Flamengo –, Marcelle, que é flamenguista, publicou reclamações sobre a torcida são paulina. “Torcida branca que não canta, descendente de europeu safade. Pior tudo de pauliste (sic)“.

    Em outra publicação, ela afirmou: “Entrando no estádio no carro da PF. Morte horrível.”

    Ex-assessora especial do Ministério, Marcelle acompanhou a ministra Anielle Franco até o jogo no Morumbi para assinar uma ação em conjunto com o Ministério dos Esportes e a Confederação Brasileira de Futebol para o combate ao racismo e a promoção da igualdade racial no futebol. As duas torcem para o Flamengo.

    Em nota, o Ministério da Igualdade Racial comunicou a demissão e disse que “as manifestações públicas da servidora em suas redes estão em evidente desacordo com as políticas e objetivos do MIR”.

    Quem é Marcelle Decothé?

    Marcelle entrou no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 7 de fevereiro deste ano em um cargo comissionado executivo como chefe da assessoria especial, para trabalhar 40 horas semanais, oficialmente contratada pelo Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.

    Segundo o Portal da Transparência, antes de ser exonerada, ela ganhava R$ 17.100 por mês.

    A ex-assessora trabalhava com Anielle Franco desde antes da nomeação para o ministério. Em janeiro de 2020, Marcelle começou a trabalhar como gestora de programas no Instituto Marielle Franco, organização sem fins lucrativos voltada para mulheres negras, LGBTQIA+ e periféricas. O instituo leva o nome da vereadora assassinada em 2018, irmã de Anielle, e foi criado pela família para continuar seu legado.

    Marcelle também é co-fundadora da iniciativa PIPA, “pensada para ajudar a democratizar o acesso ao investimento social privado no Brasil”, desde 2019.

    Entre 2019 e 2022, ela também atuou como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) da ex-deputada estadual Mônica Francisco (PSOL).

    Antes disso, Marcelle também trabalhou na Anistia Internacional Brasil de 2016 a 2018, com a campanha “Jovem Negro Vivo”. E, de 2015 a 2016, foi assistente na Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do governo do estado do RJ.

    Ela é formada, desde 2016, em Defesa e Gestão Estratégica Internacional, com mestrado em Políticas Públicas e Direitos Humanos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

    Veja também: Assessora de Anielle Franco é exonerada após postagem sobre torcida do São Paulo