Saiba quem é Paulinho da Força, escolhido relator do PL da Anistia
Ex-aliado de Lula, o deputado e dirigente sindical acumula trajetória no sindicalismo e já rompeu com o presidente e a PT

O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) foi escolhido nessa quinta-feira (18) como relator do Projeto de Lei da Anistia, que propõe o perdão a condenados por envolvimento na suposta trama golpista que resultou nos ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
A decisão foi do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Paulinho esteve com Hugo na manhã de quinta, horas após a aprovação da urgência de um projeto de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ).
A escolha pelo deputado é atribuída ao fato dele ser um interlocutor forte em várias camadas políticas, com experiência sindical e política.
Paulinho é visto como um bom nome porque cumpre acordos e aceita receber um texto pronto, segundo parlamentares ouvidos pela CNN.
"Ele topa assumir o desgaste se preciso, preservando o autor intelectual", disse um deputado sob reserva.
Saiba quem é Paulinho da Força
Paulo Pereira da Silva foi eleito deputado federal por São Paulo, em 2006, e reeleito sucessivamente em 2010, 2014 e 2018. Em 2022, não conseguiu manter a cadeira, mas retornou à Câmara dos Deputados em novembro de 2023, após a cassação do parlamentar Marcelo Lima (PSB-SP).
Nascido em Porecatu (PR), Paulinho trabalhou como metalúrgico em São Paulo, atuou no movimento sindical e se formou no Senai como inspetor de qualidade. Iniciou a vida política nos anos 1980, quando se tornou diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.
Em 1991, ajudou a fundar a Força Sindical, central que chegou a rivalizar com a CUT (Central Única dos Trabalhadores).
Passou pelo PT, pelo PTB e pelo PDT, até fundar, em 2013, o Solidariedade, partido que preside até hoje.
Nas eleições de 2022, a sigla presidida por Paulinho apoiou a candidatura do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entretanto, no começo deste ano, o parlamentar declarou o rompimento com o chefe de Estado.
"Se depender de mim, é um partido, né? Tem que ouvir todo mundo, mas, se depender de mim, eu nunca mais apoio o Lula. [...] Acho que esse tipo de governo não tem mais futuro", ressaltou Paulino à época.
"A eleição presidencial está longe ainda, mas eu não voto mais no Lula. Eu gostaria muito de construir uma candidatura mais ao centro", afirmou o deputado, em fevereiro deste ano.
Polêmicas entre mandatos
Em 2013, a Justiça Federal condenou o deputado por improbidade administrativa no caso da Fazenda Ceres, em Andradina (SP). O Ministério Público apontou sobrepreço na compra de terras financiadas pelo programa Banco da Terra.
Posteriormente, o parlamentar foi citado em delações da Operação Lava Jato, acusado de receber recursos ilícitos da Odebrecht e de participar de esquemas de caixa dois.
Segundo delatores, parte do dinheiro teria sido entregue em espécie, o que levou Paulinho a responder a inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal).
Em 2020, o STF confirmou uma condenação contra o deputado a 10 anos e 2 meses de prisão por desvios de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, Paulinho perdeu o mandato vigente no período.
Em novembro de 2023, o STF decidiu aceitar o recurso do deputado e reverter a condenação.
O ministro do STF, Alexandre de Moraes, afirmou, na época, que o processo contou com a “omissão no que diz respeito ao quadro fático-probatório insuficiente para a condenação, pois permanecem severas dúvidas quanto à existência do esquema de desvio de valores”.
No período, Paulinho da Força era suplente de deputado federal e assumiu o mandato após o fim do processo.


