Saída do União Brasil do governo é mais simbólica que efetiva, diz analista

Cientista política Lara Mesquita, professora da FGV, aponta que o apoio da legenda ao governo federal já era fragmentado e a pasta ocupada tinha menor relevância

Jorge Fernando Rodrigues, da CNN
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A cientista política Lara Mesquita disse que a saída do partido União Brasil do governo Lula, embora de grande repercussão, deve ter um impacto "mais simbólico do que efetivo" na governabilidade. 

Em entrevista à CNN, a professora da FGV (Fundação Getulio Vargas), destacou que o apoio do partido ao governo já era notoriamente limitado, o que mitigava a força do rompimento. 

“A gente tem que lembrar que o União Brasil já tinha um apoio fragmentado e parcial ao governo. Não por outra razão, o partido ocupava um ministério de peso menor, o Ministério do Turismo”, afirmou a cientista política. 

Mesquita argumenta que a importância do ministério era proporcional ao que o partido de fato entregava em termos de apoio político. “Ele [União Brasil] ganhou um ministério com peso proporcional ao que o partido entrega ao governo”, pontuou. 

Sinais de cautela e ação interna 

Na avaliação da professora, os próprios movimentos internos do partido sugerem que a saída não será imediata ou completa. Ela observa que a falta de urgência nas ações do partido reforça a tese do simbolismo. 

“Ele [ministro do Turismo, Celso Sabino] não está cumprindo o ultimato de 24 horas para deixar a pasta. Ele disse que só sairia na semana que vem”, observou. 

Além disso, a cientista política ressaltou que, se a saída fosse de fato efetiva, não haveria tentativas de manutenção de influência na estrutura governamental. 

“Tanto que o ministro do Turismo está tentando azeitar as coisas para que uma pessoa de sua confiança continue no controle do ministério”, explicou Mesquita.

 

Ela também minimizou o pedido de antecipação do prazo, notando que a antecipação é de apenas 10 dias e “não é uma coisa extraordinária”. 

Lara Mesquita ainda sugere uma análise prudente da situação, especialmente sobre o futuro dos votos que o partido poderia fornecer ao Executivo. 

“Eu faria essa leitura com cautela. Acho que isso [formalização da saída] não vai ser completamente efetiva no sentido de que o partido não vai entregar mais nenhum voto ao governo”, disse.  

Para ela, um fator institucional crucial para a continuidade da relação é a presença de um membro da sigla em um posto estratégico. No caso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).  

“É sempre bom lembrar que o presidente do Senado é do União Brasil e ele tem bastante força dentro do partido até pelo cargo institucional que ele ocupa”, lembrou. Segundo a professora, Alcolumbre não tem sinalizado que abandonará o governo em “todas as suas agendas”.